Sobre Depressão

Na Minha Cabeça

Quem me vê sorrindo por aí, brincando, contando piadas e me fazendo de forte, mal consegue imaginar o inferno confuso que se passa dentro da minha cabecinha de química defeituosa.

No post de hoje resolvi abordar esse tema muito falado, mas pouco compreendido pela sociedade. Esse vai ser um texto bem pessoal, e lembrando que não sou psicóloga, nem psiquiatra, nem terapeuta. Só sou uma pessoa doente, que quer desabafar e que compreende muito pouco do espectro dessa doença. Ou do que se passa dentro da própria cabeça.

Eu nunca quis admitir que era uma pessoa depressiva, sabe? Sempre me orgulhei de parecer uma mulher forte e independente, que não leva desaforo pra casa, que não deixa nada atingi-la. E, até certo ponto da minha vida, fui essa mulher, essa garota.

O negócio com não deixar nada te atingir, de fingir que não se importa com nada, de guardar esses sentimentos todos dentro de você e não colocá-los pra fora, é que eles vão se acumulando ali no seu íntimo. De pouquinho em pouquinho a galinha enche o papo. E de gota em gota o balde, em algum momento, vai transbordar.

Bem vindos a Grande Crise de 2017

Foi o meu primeiro episódio depressivo e lembro que na época não enxerguei dessa forma. Não achei que estava com depressão. Tive um ataque no trabalho. Perdi o emprego e passei os próximos 6 meses dentro do meu quarto, deitada no escuro, sem fazer nada. Não fiz uma maratona de séries. Não assisti os filmes que queria ver. Não li os livros acumulados na estante. Só fiquei ali deitada, por SEIS MESES, pensando em como era bom quando eu estava dormindo e como seria melhor ainda se eu pudesse dormir pra sempre.

Inevitavelmente “the life snake”. Em algum momento eu precisei levantar sozinha e achar um emprego. Minha prima querida, aquela que sempre foi como uma irmã pra mim, iria se casar e eu precisava encontrar um trabalho rápido, pra conseguir juntar dinheiro e pegar férias na época certa, até por que o casamento seria nos Estados Unidos.

Achei o emprego, diferente de tudo com o que eu estava acostumada a fazer, mas ainda dentro do escopo da minha formação. No início foi bem legal. Sempre é. Mas aos poucos eu fui ficando mais uma vez frustrada comigo e com a minha vida. Comecei a reconhecer novamente todas aquelas emoções fora de controle dentro de mim. As crises de choro. A sensação de não ser boa o bastante. Uma insuficiência revoltante.

Mas eu tinha um objetivo: um ano de empresa, juntar dinheiro, tirar férias e viajar pro casamento da minha prima. Depois que essa meta foi alcançada, todos os efeitos do que eu estava sentindo antes da viagem foram triplicados. Eu mal tinha forças pra abrir os olhos de manhã. Eu NÃO QUERIA abrir os olhos. Não queria sair da cama. Não queria fazer nada.

E então, bem vindos à Grande Crise de 2019

Esse foi o momento em que percebi que precisava de ajuda.

Desde que todos esses sintomas tinham começado, eu tendi a forçar um sorriso na cara, a parecer mais forte do que antes, a fazer mais piadas do que antes, por que não queria que ninguém visse quão fraca e infeliz eu era na verdade.

Acho que sempre fui orgulhosa. Sempre me importei com a imagem que as pessoas tinham de mim. Eu queria que elas me vissem empoderada, alto astral, bem humorada, bem sucedida. Por que, em algum momento da minha vida, eu já tinha sido essa pessoa, e não queria abrir mão dela. Só que, né, eu já tinha perdido aquela garota há algum tempo e fingir acaba sendo tão cansativo que as vezes você explode. De novo.

Essa foi uma explosão mais sutil, entretanto não quer dizer que não tenha deixado um rastro de destruição pelo caminho. Precisei que uma amiga me dissesse que eu precisava de ajuda. Precisei que ela me arrastasse até o Pronto Socorro Psiquiátrico da Vila Mariana, o CAISM.

Durante o atendimento com a psiquiatra, mais chorei do que falei. E odeio tanto chorar na frente das pessoas. Não me incomodo de chorar com um filme, um livro, um trailer de cinema ou até mesmo um comercial da Johnson’s de fim de ano. Mas eu detesto chorar por mim. Detesto a vulnerabilidade. Detestei o quanto me senti fraca e patética contando os meus problemas para aquela doutora, sendo que no mundo tinha gente com muito mais problema do que eu. Me senti ingrata. Não merecedora de estar ali, ocupando o lugar de uma pessoa com sofrimentos muito mais reais que o meu.

Mas então a doutora me fez uma pergunta. Aquela que me fez refletir e reavaliar algumas coisas. Ela disse: “Pâmela, você já pensou em se matar ou se machucar de alguma forma?” e eu travei. Por que nunca pensei em me machucar, mas definitivamente a perspectiva de morrer estava começando a parecer mais agradável do que a de viver.

Foi quando eu aceitei que tinha um problema. Que tinha depressão. Que precisava de tratamento.

Sai dali com uma receita de Sertralina e Quetiapina, um encaminhamento para a UBS, para psicoterapia, e a promessa de que ficaria bem.

E eu fiquei. Por um tempo. Acho que foram os meses mais “felizes” da minha vida esses em que estive medicada: consegui o emprego dos sonhos, me libertei de amarras sociais, tive um maior entendimento e clareza sobre a vida, sobre mim e sobre a minha cabeça. Vocês devem se lembrar do meu otimismo nos últimos posts, sobre como eu disse que 2019 foi um ano difícil, mas que eu sobrevivi, que estava mais forte, mais feliz, era a melhor versão de mim mesma naquele momento, e buscava seguir evoluindo, seguir buscando essa pessoa perfeita.

Gente, a pessoa perfeita não existe.

Mais um vez, bem vindos à Primeira Grande Crise de 2020.

Não demorou tanto desta vez.

E me ajudou a entender um pouco mais sobre mim também. Todas as crises meio que trazem alguma revelação intima sobre meus conflitos internos, meus gatilhos. Porém, essa foi grande. O equivalente à explosão nuclear de Hiroshima e Nagasaki na minha vidinha. Deixou um rastro de destruição que ainda nem sou capaz de avaliar. Na verdade, estou escrevendo esse texto ainda no meio dessa crise. A gente pode chamar de pós-crise, que é quando eu tô ali tentando escalar o poço, e a Samara tá puxando o meu pé.

Não tô legal, gente. Não to nada legal. Essa foi a pior de todas e tudo começou quando o psiquiatra da UBS resolveu que era hora de diminuir a minha medicação.

Não me levem a mal, o SUS realmente salva vidas e eu não sei o que teria sido de mim em 2019 se não fosse pelo Sistema Único de Saúde. Porém é muito louco pra pouco médico. Eu estava fazendo tratamento, mas não era aquela coisa ideal. Não tinha como, o doutor mal se lembrava da minha cara, das minhas queixas. Ele é um daqueles senhores adeptos à tratamentos alternativos, meditação, prática de esportes, etc. Não está errado, quem sou eu pra questionar o doutorado dele. É só que, pra uma criatura com ansiedade desde sempre, um claro desequilíbrio na química cerebral, ficar sentada numa sala meditando só piora.

Comecei a tomar a Sertralina dia sim e dia não. A Quetiapina ele já tinha se livrado no primeiro mês, pois segundo ele não precisava daquilo pra dormir, precisava fazer atividade física, mas doutor, na atual conjuntura, que horas que eu vou conseguir fazer atividade física? Cheguei no ponto de só ter uma boa noite de sono com um Clonazepam ilegal. Ou um baseado. Só essas coisinhas conseguiam fazer o barulho insuportável no meu cérebro cessar pra eu poder dormir em paz.

Não demorou muito pra redução da Sertralina começar a me deixar ansiosa de novo. Entre crises de ansiedade e estresse, minhas mãos e pés começaram a estourar com Disidrose, meu cabelo começou a cair, minhas costas, tensas, travaram. Percebi que não estava bem. Que coisas bobas, que não estavam mais me afetando há meses, começavam a me assombrar novamente.

Corri pra UBS, o psiquiatra me mandou meditar. Isso foi numa quarta-feira.

Meditei, levei bronca de novo por não estar fazendo atividades físicas, e sai de lá decidida a voltar a tomar a Sertralina todos os dias, o doutor querendo ou não.

Comecei, mas acho que o estrago já estava feito.

Na mesma semana, também conhecida como última sexta-feira (14), tive um surto no trabalho. Quem me acompanha no Instagram talvez tenha visto as publicações enlouquecidas no ódio e na raiva. Não me lembro muito do que aconteceu naquela sexta, acho que dei uma desassociada. Não consegui comer. Só tremia de raiva por que imaginava não estar sendo valorizada como deveria. No caso eu não era suficiente.

No sábado pós-surto consegui analisar algumas coisas sobre mim e sobre essa crise. Tenho um problema de auto-estima. Surtei no trabalho por que entendi que não estava sendo suficiente ali, mesmo dando tudo de mim, não estava sendo o bastante. Essa constatação trouxe consigo o sentimento de que também nunca fui uma filha suficiente pros meus pais. Ou uma mulher suficiente pra ter algum relacionamento. Tudo isso se juntou dentro de mim, cresceu e explodiu num monte de merda com consequências terríveis.

Na segunda-feira pós-surto eu fui demitida.

Bem vindos à Segunda Grande Crise de 2020.

Vindo na rabeira da primeira, essa explodiu na minha cara com a minha dispensa do trabalho.

Entendam, eu nunca tinha sido demitida na vida. Em todos esses anos trabalhando, sempre precisei pedir pra sair dos lugares quando encontrava um emprego melhor. E eu tinha grandes planos e expectativas pra esse emprego. Apesar do surto, eu amava ele. Quando isso foi tirado de mim, num primeiro momento disse pra mim mesma que tudo bem. Segurei bem as pontas enquanto estava acompanhada. Mas bastou ficar sozinha pra ter uma crise de choro absurda.

Acho que nunca chorei tanto na minha vida. Nem quando meu cachorro mais antigo morreu. Cheguei em casa tremendo, assustei tanto meus pais que ganhei um abraço da minha mãe (não me lembro nunca de ter ganhado um desses), um copo de água com açúcar e a promessa de que eu encontraria outro trabalho. Só que eu não quero outro trabalho. Me senti uma vergonha. Uma decepção. Na minha cabeça essa era a minha grande chance, foi a minha grande virada no ano passado, e eu joguei tudo no lixo, por que sou uma transtornada de merda.

Não conseguia contar pros meus pais, e percebam, ainda não consegui contar pra ninguém exatamente o que eu fiz pra merecer a demissão, por que estou morrendo de vergonha. Tô com vergonha do meu pai, que tem mais de 60 anos, é aposentado e continua trabalhando numa metalúrgica, pra conseguir sustentar a família. Tô com vergonha da minha mãe, que se mata tentando encontrar um emprego e não consegue. Tô com vergonha da pessoa que me indicou nesse trabalho, que eu devo ter decepcionado em níveis estratosféricos. Tô com vergonha do meu antigo chefe, por que sinto que também decepcionei ele e frustrei nós dois. Tô com vergonha das pessoas que eu deixei pra trás, lá, sozinhas, por que elas contavam comigo e agora estão se ferrando sem mim lá pra defendê-las e ajudá-las.

Ainda não consegui atualizar meu LinkedIn com meu novo status de desempregada. Estou com medo do que as pessoas vão pensar. Que eu não fui capaz, que não fui suficiente, que não aguentei a barra, afinal, que merda ficar só 4 meses em um cargo de Gerente de Projetos na Editora Caras, não é mesmo? Dá uma sensação de incompetência absurda, e eu odeio ser incompetente. Eu queria ser grande, eu queria deixar meus pais orgulhosos, eu queria ser perfeita, eu queria um super sucesso profissional.

E agora sinto como se não tivesse nada.

Sinto que joguei meu futuro no lixo por ser uma doente do caralho.

Estou passando com um novo psiquiatra, que o próprio diretor da empresa arrumou pra mim, ele já trocou todos os meus remédios e me mandou urgente para a psicoterapia: aparentemente eu tenho um caso de ansiedade com tendências depressivas e muito baixa auto-estima.

Meu corpo ainda está se adaptando com a medicação nova, então estou zonza a maior parte do tempo, e tenho vontade de dormir pra sempre. Ainda me pego pensando qual o objetivo disso tudo? Da vida? De viver? Se a gente só sofre, sofre e sofre. Pra que isso? Não é nem que eu queira morrer de fato… é mais como se eu só não quisesse existir.

Então, como vocês podem notar, ainda estou um lixo. Ainda não quero falar com ninguém.

Acho que só estou escrevendo isso aqui pra ver se desafogo um pouco o meu peito. Ou, sei lá, pra alertar as pessoas que se sentem do mesmo jeito que eu a procurar ajuda. Só quem passa por isso sabe como é e ninguém que não tenha depressão vai conseguir compreender uma pessoa que tem. Eles podem dizer que estão ali pra você e oferecer suporte, mas pouca gente quer realmente ouvir. Pouca gente vai compreender o quanto você precisa mesmo de ajuda.

Amanhã tenho terapia e sigo engatinhando pra fora do poço sem muita vontade.

Não sei bem como terminar esse texto. Acho que é por que a tempestade dentro de mim ainda não acabou. Então acho que só vou dizer, aos incompreendidos com os mesmos problemas que eu, pra ninguém soltar a mão de ninguém.

É isso.

24 comentários sobre “Sobre Depressão

  1. Só peço para que tudo fique bem! Que vc encontre forças suficientes para encarar essa crise e esses sentimentos desordenados (que imagino não serem nada fáceis de controlar, mas que a força que vc sabe que vc tem, possa ser maior a cada dia)! Estamos por aqui! Sempre!

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    1. Muito obrigada pelo apoio, Ta ❤ realmente não foi/é nada fácil, mas graças a Deus encontrei essa força dentro de mim pra me reerguer! Hoje estou bem, mas nada disso teria sido possível sem toda a ajuda e apoio que eu recebi.

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      1. Oi Pam! Ainda sou vítima de tortura, é difícil falar sobre isso, é difícil acreditar, mas estão torturando pessoas inocentes através de uma arma sonora, e se identificam como chineses, mas moram aqui no Brasil. A tortura começou muito antes desse vírus chegar. Existe alguma coisa maligna no ar. Eles também podem torturar, sem a pessoa se dar conta, alguns não precisam sentir nem ouvir necessariamente as ondas sonoras. É eles controlam as pessoas, sem elas saber! Estamos no fim dos tempos! Até hoje não acredito que uma coisa dessas esteja acontecendo comigo. Deus é o único que vê todo esse sofrimento. São covardes imundos, se escondem por trás de uma arma sonora, e a pessoa que está sendo torturada não tem como se defender! É um crime! São assassinos! Crime hediondo! Vc não imagina o sofrimento que eu tive! Vc não tem como denunciar! É um terrorismo silencioso! Enrustido! Toda podridão do mundo se encontra naquele lugar! É um lugar maligno! E o vírus só podia ter saído de lá mesmo! Acredite em mim!

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  2. Poxa pam passei quase as mesmas coisas que você em campos diferentes de nossas vidas !! Quero que saiba que mesmo n sendo mto íntima pode contar comigo, seja pra conversar ou seja só pra te ouvir !!! N vou soltar sua mão não nega !!!

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  3. Você não tá sozinha nunca, ok? Vc tem amigas que te acham uma pessoa maravilhosa e que podem te dar mil motivos para justificar sua existência.
    Eu tenho certeza que você vai sair logo dessa, Pamzinha. Muita força mesmo!!!
    Me chama quando se sentir confortável. Vou te ajudar daqui de longe mesmo, tá? ❤️❤️❤️

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    1. Oinnn, Gé ❤ você também é uma pessoa maravilhosa! Muito obrigada por ter me apoiado nesse momento tão dificil! Eu tenho muita sorte de ter você e mais um bocado de pessoas segurando a minha mão e me dando força pra superar esses problemas! Te amo muito, espero q vc saiba quão essencial é na minha vida! Obrigada, obrigada, obrigada ❤

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  4. Acompanho na condição de coordenador da segunda série EM muitos alunos com 15, 16 anos em depressão. Vivem muito de tudo que escrevestes. Em muitos casos não lhes faltam dinheiro, atenção, condições favoráveis de vida, mas, lhes falta, sentido de existência… O perfeccionismo quase sempre impera… Quando tiver condições escreva outro post… Desabafe… Não exploda…

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    1. Muito obrigada por essas palavras e pelo apoio. Finalmente me sinto bem, me sinto eu mesma pra voltar a escrever e ressignificar toda essa situação. Desabafar sobre isso, não apenas nos meus posts, mas com uma psicóloga, me ajudou imensamente!

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  5. Pâmela estou me sentindo exatamente igual a você, já passei com uma psicóloga 2018, fui em 3 sessões desisti.
    Não sei o que fazer, tem horas que me sinto um nada, me sinto um lixo, tenho vontade de dormir pra sempre.

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    1. Ai Mi, por favor, não se sinta assim! Você é importante! Você é essencial! Não importa o que tenha te acontecido pra fazer com que vc tenha essas sensações, saiba que elas estão na sua cabeça! Eu sei que é dificil lidar com isso, mas pedir ajuda é muito importante. Tentar outra psicologa, quem sabe. Mas se ficar muito difícil eu te aconselho a ir até o CAISM, é um pronto socorro psiquiátrico onde fiz meu primeiro atendimento. Fica na Vila Mariana:
      Rua Major Maragliano, 241, e o telefone é (11) 3466-2100. Eles me ajudaram muito num momento em que eu estava muito muito muito mal. Se você não se sentir confortável de ir até lá, também pode acessar esse site: https://www.achavedaquestao.com/ lá tem psicólogos online fazendo atendimento gratuito 😀

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