Como não surtar durante a quarentena

Eu Mesma, Na Minha Cabeça

Estamos vivendo uma situação única e difícil, que balança o psicológico até do mais forte. Agora, imagine só como tudo isso está afetando uma pessoa com ansiedade e comportamentos depressivos? Se você, assim como eu, anda tendo dificuldades em se manter estável no meio dessa pandemia e dentro da quarentena, então esse post é pra você!

Lembrando que eu não sou uma profissional. Esse post é para compartilhar as coisas que estou fazendo para me manter sã neste momento de tensão. Como já falei aqui no blog, nos últimos dois posts (este e este), se estiver muito difícil de aguentar, não deixe de procurar ajuda. Se não se sentir à vontade conversando com amigos e familiares, me manda uma mensagem, ou procure ajuda profissional. Uma boa terapia faz milagres.

Agora voltando ao assunto: pandemia e coronavírus, misturado com isolamento e quarentena, somado à falta de caráter e empatia do nosso atual presidente, é igual: a combinação destrutiva mais letal ao cérebro de uma pessoa. Perdi as contas de quantas crises de ansiedade tive em casa, tudo isso medicada e fazendo terapia.

O que mais me afeta é que me preocupo muito com as pessoas que ainda estão na rua. Sejam elas aquelas autônomas, que se não trabalharem não conseguem comer, ou aquelas burras mesmo, que ficam fazendo carreata em seus carros importados em prol do fim do confinamento.

Eu também me preocupo com a economia, sabe? Também estou preocupada que se as pessoas não trabalharem elas não ganham dinheiro, se não ganham dinheiro não consomem e se não consomem a economia quebra. EU SEI DISSO. Não sou uma esquerdista que tá aqui só pra meter o pau no presidente e queimar pneu na rodovia. Porém, na minha humilde opinião, PESSOAS são mais importantes que a ECONOMIA. E pessoas estão morrendo.

Não é só uma gripezinha, não é só terrorismo da mídia. Essa pandemia não foi inventada pra derrubar a direita. E ver gente, em todos os lugares, querendo o fim da quarentena, uma medida séria e importante, pra impedir a disseminação do vírus e, consequentemente, a morte de milhões de pessoas, me tira do sério.

Assistir o noticiário todos os dias, vendo o número de mortos e infectados praticamente dobrar a cada 2 dias, ver uma carreata de caminhões cheios de caixões na Itália, num cenário que pode ser o futuro do Brasil, se não ficarmos em isolamento, ME TIRA O SONO. Me deixa nervosa num ponto em que o psicológico afeta o físico e eu passo mal no banheiro, vomitando de nervoso.

E isso tudo medicada e fazendo terapia.

Depois de muitos dias da semana passada surtando enquanto assistia noticiários e pronunciamentos criminosos, resolvi dar um basta. Em prol da minha saúde, percebi que chega. O coronavírus tá ai, isso não vai mudar tão cedo. Os gados bitolados vão seguir cegamente o presidente deles, não importa o que eu diga, não importa quantos posts raivosos eu faça nas minhas redes sociais ou quantas discussões acaloradas eu tenha por WhatsApp. Isso não vai mudar. Vai além das minhas capacidades transformar essa situação.

Então, seguindo o conselho da minha terapeuta, resolvi colocar um filtro nas coisas que consumo e no que eu permito que me estresse. Decidi desligar a tv na hora do jornal. Dar um tempo de tanta notícia ruim. Me afastar um pouco das redes sociais nesse momento. E quando alguma noticia ruim chega até mim eu me questiono: “posso mudar essa situação?” e se sim: “o que posso fazer para mudar?”, e então me distraio traçando um plano para fazer a diferença sobre aquilo. Se eu não puder fazer nada a respeito, preciso deixar pra lá.

Precisamos entender que as coisas continuam acontecendo, gente. Querendo ou não, se estressando ou não, as coisas vão continuar rolando. E nós podemos e devemos fazer a nossa parte para melhorar tudo. Neste caso, o que está no nosso poder é: evitar sair de casa, lavar bem as mãos e proteger nossos grupos de risco. Fora isso, não vai adiantar espernear, só vai fazer mal pra gente. Precisamos saber onde colocar a nossa energia. Acreditem ou não, o estresse também baixa a nossa imunidade. Então vamos respirar e escolher as nossas batalhas.

Fora isso, criei uma pequena rotina nos meus dias pra me forçar a sair da cama e cuidar da minha saúde física e mental. Abaixo vou citar alguns bullets que estão me fazendo super bem:

  • Fazer um alongamento assim que me levanto;
  • Arrumar minha cama;
  • Fazer um skincare no meu rosto;
  • Praticar yoga através de vídeo aulas;
  • Levar as dogs para um passeio rápido;
  • Comer uma fruta;
  • Ler o capítulo de um livro;
  • Cozinhar;
  • Assistir um episódio de alguma série;
  • Fazer as unhas dos pés e das mãos;
  • Assistir novelas;
  • Fazer uma hidratação no cabelo;
  • Escrever;
  • Assistir um filme
  • Conversar com meus amigos;

Sei que algumas coisas parecem bem idiotas, mas criam uma rotina que nos inspira a não entregar os pontos. Obviamente eu não faço tudo isso todos os dias, mas vou dividindo durante a semana. E o mais importante: não me sinto culpada por não conseguir fazer algo. É importante a gente não se cobrar tanto. É imprescindível que sejamos gentis com nós mesmos. Temos que nos lembrar que essas pequenas atividades são coisas que fazemos pela gente, pra nos cuidar e fazer com que nos sintamos bem. Então não tem nada a ver se sentir mal ou se cobrar demais. Siga seu ritmo e ouça seu coração.

Pra finalizar, queria dizer que vai ficar tudo bem. Isso vai passar. É importante que a gente se mantenha positivo, mesmo sendo muito difícil, precisamos continuar com nossa frequência alta, com boas vibrações. É uma crença que eu, particularmente, tenho. Essa coisa de mandar energias positivas pro Universo e esperar que elas retornem positivas pra mim. Você pode não acreditar nisso, mas que mal vai fazer?

De novo, se estiver muito difícil de aguentar, peça ajuda e se sinta confortável em ME PEDIR AJUDA. Eu estou aqui, eu sei como é, e juntos é mais fácil vencer do que sozinhos. Se você não se sentir confortável em falar comigo, com seus amigos ou familiares, procure ajuda especializada. Se não estiver sabendo lidar com o isolamento por causa do COVID-19, se está ficando ansioso, depressivo, agressivo, compulsivo ou com medo demais, podem acessar o site A Chave da Questão. Nesse site tem diversos psicólogos conectados que podem ajudar as pessoas a lidar com as próprias dificuldades. Eles estão atendendo online, completamente de graça, todo mundo que precisa de ajuda.

Vamos juntos, mas cada um na sua casa ♥

8 comentários sobre “Como não surtar durante a quarentena

  1. Adorei! Falou tudo! Super concordo que nesse momento é ótimo estar bem informado mas também precisamos saber acho um ponto que é suficiente- e desligar as News como voce disse! Amei as dicas- e acho que esse é o momento de sermos mais ativos, fazer mais facetime com a família, conversar mais, ajudar no que puder e vamos achar coisas positivas no meio dessa crise.! ❤

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    1. Simmmmm! Eu vejo muito como um momento pra reflexão, sabe? Com todo mundo sendo obrigado a ficar em casa consigo mesmo e com a família, é a hora de olhar pra dentro e pras nossas relações mais profundas e trabalhar nelas. Continuo firme na mentalidade que tudo acontece como tem que acontecer e na hora que precisa acontecer. Então essa é nossa oportunidade nos conhecermos melhor e construir os alicerces que vão nos sustentar depois que essa crise passar.

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    1. Nossa, eu imagino! Agora, mais do que nunca, precisamos planejar bem o nossos dias! Além do trabalho, ainda é necessário se programar com as crianças! Mas acredito que vamos todos sair mais fortes dessa crise e aprender muito mais sobre nós mesmos e nossos dilemas internos.

      Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada, Rafael. Atualmente já tenho um psiquiatra e uma psicóloga que me acompanham. Acho que nesse momento é essencial olhar para si, se conhecer e entender nossos dilemas. Não que devemos virar as costas para o que está acontecendo com o mundo e com a nossa comunidade, mas existe um limite de coisas que podemos fazer para não enlouquecer e neste momento, pra mim, é primordial cuidar de mim e da minha saúde mental. Isso não quer dizer que eu não pense nos outros, e nem que não cuide da minha família e das pessoas próximas a mim, que são aquelas que estão no meu poder de fazer algo a respeito. No fim do dia, sempre espero que meus textos sejam capazes de alcançar mais pessoas, aquelas que não conheço e dar uma força, pq sei que tem mais gente com os mesmo problemas que eu e que podem se beneficiar de saberem que não estão sozinhos.

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  2. Entendo,

    Mas uma verdadeira perspectiva de transcendência vai muito além desse cuidado que abranda mais ou menos esses temores, porém não fortalece de fato para enfrentar qualquer perigo que a vida apresente. A questão é: estar em posse de um sentido existencial que nos permita olhar a morte com toda a lucidez, com um heroísmo moral imperturbável e assim, sermos capazes de transmiti-lo àqueles que convivem conosco. Somente isso tem valor em qualquer perigo da vida, e não paliativos narcisistas.

    Você já tem orientação médica, ok. Mas já se perguntou qual a visão de mundo de seus orientadores, se eles já foram capazes de vencer os seus próprios demônios?

    Nesse momento de crise, ao invés de camuflar a dor, podemos tomar consciência de sua real dimensão e das causas mais profundas que a determina e então enfrentarmos o último reduto do medo, da mediocridade e da falta de sentido superior constituem a nossa existência.

    É um ótimo momento para amadurecer… Não enlouquecer, ou melhor, ainda permanecer no que se chama de normalidade.

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