Grammy 2019: Confira os vencedores da noite

Música

Na noite deste último domingo (10/02) aconteceu o 61º Grammy Awards, uma das principais premiações do mundo da música, e teve como anfitriã a maravilhosa Alicia Keys, consagrando “This is America”, de Child Gambino, que levou 4 prêmios, entre eles Melhor Gravação e Melhor Canção.

Além disso, Kacey Musgraves, a atual queridinha do country, ficou com o Álbum do Ano, entre diversos outros prêmios específicos do gênero country, nossa Lady Gaga foi premiada em 3 categorias e Dua Lipa foi a Artista Revelação.

Alicia Keys, anfitriã da noite

Confira abaixo os vencedores de todas as categorias:

ÁLBUM DO ANO
Invasion of Privacy – Cardi B
By the Way, I Forgive You – Brandi Carlie
Scorpion – Drake
H.E.R – H.E.R
Beerbongs and Bentleys – Post Malone
Dirty Computer – Janelle Monae
Golden Hour – Kacey Musgraves – VENCEU
Black Panther: The Album – Kendrick Lamar e vários artistas

GRAVAÇÃO DO ANO
I Like It – Cardi B, Bad Bunny & J Balvin
The Joke – Brandi Carlile
This is America – Childish Gambino – VENCEU
God’s Plan – Drake
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper
All the Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Feat. 21 Savage
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

Childish Gambino, em “This is America”, Gravação e Canção do Ano

CANÇÃO DO ANO (COMPOSIÇÃO)
All the Stars – Kendrick Lamar & SZA (Compositores: Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Al Shuckburgh, Mark Spears & Anthony Tiffith)
Boo’d Up – Ella Mai (Compositores: Larrance Dopson, Joelle James, Ella Mai & Dijon McFarlane)
God’s Plan – Drake (Compositores: Aubrey Graham, Daveon Jackson, Brock Korsan, Ron LaTour, Matthew Samuels & Noah Shebib)
In My Blood – Shawn Mendes (Compositores: Teddy Geiger, Scott Harris, Shawn Mendes & Geoffrey Warburton)
The Joke – Brandi Carlile (Compositores: Brandi Carlile, Dave Cobb, Phil Hanseroth & Tim Hanseroth)
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey (Compositores: Sarah Aarons, Jordan K. Johnson, Stefan Johnson, Marcus Lomax, Kyle Trewartha, Michael Trewartha & Anton Zaslavski)
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper (Compositores: Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt)
This is America – Childish Gambino (Compositores: Donald Glover & Ludwig Goransson) – VENCEU

ARTISTA REVELAÇÃO
Chloe x Halle
Luke Combs
Greta Van Fleet
H.E.R
Dua Lipa – VENCEU
Margo Price
Bebe Rexha
Jorja Smith

Dua Lipa, Artista Revelação

MELHOR ÁLBUM DE POP COM VOCAIS
Camila – Camila Cabello
Meaning Of Life – Kelly Clarkson
Sweetener – Ariana Grande – VENCEU
Shawn Mendes – Shawn Mendes
Beautiful Trauma – P!nk
Reputation – Taylor Swift

MELHOR PERFORMANCE POP SOLO
Colors – Beck
Havana – Camila Cabello
Gos Is a Woman – Ariana Grande
Joanne (Where Do You Think You’re Goin?) – Lady Gaga – VENCEU
Better Now – Post Malone

Ariana Grande, Melhor Álbum Pop

MELHOR PERFORMANCE POP DE DUO OU GRUPO
Fall in Line – Christina Aguilera feat. Demi Lovato
Don’t Go Breaking My Heart – Backstreet Boys
‘S Wonderful – Tony Bennett & Diana Krall
Shallow – Lady Gaga e Bradley Cooper – VENCEU
Girls Like You – Maroon 5 feat. Cardi B
Say Something – Justin Timberlake e Chris Stapleton
The Middle – Zedd, Maren Morris e Grey

MELHOR MÚSICA DE RAP
Drake – God’s Plan – VENCEU
Kendrick Lamar – King’s Dead
Eminem – Lucky You
Travis Scott – Sicko Mode
Kendrick Lamar – Win

Drake, Melhor Música de Rap

MELHOR PERFORMANCE DE RAP
Be Careful – Cardi B
Nice For What – Drake
King’s Dead – Kendrick Lamar, Jay Rock, Future e James Blake – VENCEU
Bubblin – Anderson .Paak – VENCEU
Sicko Mode – Travis Scott, Drake, Big Hawk e Swae Lee

MELHOR PERFORMANCE DE ‘RAP CANTADO’
Like I Do – Christina Aguilera Featuring Goldlink
Pretty Little Fears – 6lack Featuring J. Cole
This Is America – Childish Gambino – VENCEU
All The Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Featuring 21 Savage

Kendrick Lamar, Melhor Performance de Rap

MELHOR ÁLBUM DE RAP
Invasion of Privacy – Cardi B – VENCEU
Swimming– Mac Miller
Victory Lap – Nipsey Hussle
Daytona – Pusha T
Astro World – Travis Scott

MELHOR ÁLBUM DE R&B
Sex & Cigarettes – Toni Braxton
Good Thing – Leon Bridges
Honestly – Lalah Hathaway
H.E.R – H.E.R. – VENCEU
Gumbo Unplugged (Live) – PJ Morton

Card B, Melhor Álbum de Rap

MELHOR PERFORMANCE DE R&B
Long as I Live – Toni Braxton
Summer – The Carters
Y O Y – Lalah Hathaway
Best Part – H.E.R. feat. Daniel Caesar – VENCEU
First Began – PJ Morton

MELHOR MÚSICA DE R&B
“Boo’d Up” — Ella Mai – VENCEU
“Come Through And Chill” — Miguel Featuring J. Cole & Salaam Remi
“Feels Like Summer” — Childish Gambino
“Focus” — H.E.R.
“Long As I Live” — Toni Braxton

Ella Mai, Melhor Música de R&B

MELHOR PERFORMANCE DE ROCK
Four Out of Five – Arctic Monkeys
When Bad Does Good – Chris Cornell – VENCEU
Made An America – THE FEVER 333
Highway Tune – Greta Van Fleet
Unconfortable – Halestorm

MELHOR MÚSICA DE ROCK

Black Smoke Rising — Greta Van Fleet
Jumpsuit — Twenty One Pilots
MANTRA — Bring Me The Horizon
Masseduction — St. Vincent – VENCEU
Rats — Ghost

Os filhos de Chris Cornell, Toni Cornell e Christopher Cornell Jr. recebem o prêmio póstumo de Melhor Performance de Rock

MELHOR ÁLBUM DE ROCK
Rainier Fog – Alice In Chains
M A N I A – Fall Out Boy
Prequelle – Ghost
From The Fires – Greta Van Fleet – VENCEU
Pacific Daydream – Weezer

MELHOR GRAVAÇÃO DANCE/ELETRÔNICA
Northern Soul – Above & Beyond Featuring Richard Bedford
Ultimatum – Disclosure (Featuring Fatoumata Diawara)
Losing It – Fisher
Electricity – Silk City & Dua Lipa Featuring Diplo & Mark Ronson – VENCEU
Ghost Voices – Virtual Self


Greta Van Fleet, Melhor Álbum de Rock

MELHOR ÁLBUM DANCE / ELETRÔNICA
Singularity – Jon Hopkins
Woman Worldwide – Justice – VENCEU
Treehouse – Sofi Tukker
Oil Of Every Pearl’s Un-Insides – SOPHIE
Lune Rouge – TOKiMONSTA

MELHOR ÁLBUM DE URBAN CONTEMPORÂNEO
Everything Is Love – The Carters – VENCEU
The Kids Are Alright – Chloe x Halle
Chris Dave And The Drumhedz – Chris Dave And The Drumhedz
War & Leisure – Miguel
Ventriloquism – Meshell Ndegeocello

Justice, Melhor Álbum Dance/Eletrônica

MELHOR PERFORMANCE SOLO DE COUNTRY
Wouldn’t It Be Great? – Loretta Lynn
Mona Lisas And Mad Hatters – Maren Morris
Butterflies – Kacey Musgraves – VENCEU
Millionaire – Chris Stapleton
Parallel Line – Keith Urban

MELHOR PERFORMANCE EM DUPLA OU GRUPO DE COUNTRY
Shoot Me Straight – Brothers Osborne
Tequila – Dan Shay – VENCEU
When Someone Stops Loving You – Little Big Town
Dear Hate – Maren Morris Featuring Vince Gill
Meant To Be – Bebe Rexha & Florida Georgia Line

Dan + Shay, Melhor Performance em Dupla ou Grupo de Country

MELHOR CANÇÃO DE COUNTRY
Break Up In The End – Cole Swindell
Dear Hate – Maren Morris Featuring Vince Gill
I Lived It – Blake Shelton
Space Cowboy – Kacey Musgraves – VENCEU
Tequila – Dan + Shay
When Someone Stops Loving You – Little Big Town

MELHOR ÁLBUM DE COUNTRY
Unapologetically – Kelsea Ballerini
Port Saint Joe – Brothers Osborne
Girl Going Nowhere – Ashley McBryde
Golden Hour – Kacey Musgraves – VENCEU
From A Room: Volume 2 – Chris Stapleton


Kacey Musgraves, Melhor Canção de Country e Melhor Álbum de Country

MELHOR ÁLBUM DE POP LATINO
Prometo – Pablo Alborán
Sincera – Claudia Brant – VENCEU
Musas (Un Homenaje Al Folclore Latinoamericano En Manos De Los Macorinos), Vol. 2 – Natalia Lafourcade
2:00 am – Raquel Sofía
Vives – Carlos Vives

MELHOR COMPILAÇÃO DE TRILHA-SONORA
Call Me By Your Name – (Various Artists)
Deadpool 2 – (Various Artists)
The Greatest Showman – (Various Artists) – VENCEU
Lady Bird – (Various Artists)
Stranger Things – (Various Artists)

Claudia Brant, Melhor Álbum de Pop Latino

MELHOR TRILHA-SONORA ORIGINAL
Black Panther – VENCEU
Blade Runner 2049
Coco
The Shape Of Water
Star Wars: The Last Jedi

MELHOR CANÇÃO FEITA ESPECIALMENTE PARA MÍDIA VISUAL
All The Stars – Kendrick Lamar (Pantera Negra)
Mystery Of Love – Sufjan Stevens (Me Chame pelo seu Nome)
Remember Me – Miguel Feat. Natalia Lafourcade (Coco – A Vida é uma Festa)
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper (Nasce uma Estrela) – VENCEU
This Is Me – Keala Settle (O Rei do Show)

Lady Gaga, Melhor Canção Feita Especialmente para Mídia Visual

PRODUTOR DO ANO, NÃO CLÁSSICO
Boi-1da
Larry Klein
Linda Perry
Kanye West
Pharrell Williams – VENCEU

MELHOR VIDEOCLIPE
Apes*** – The Carters
This Is America – Childish Gambino – VENCEU
I’m Not Racist – Joyner Lucas
PYNK – Janelle Monáe
MUMBO JUMBO – Tierra Whack

Pharrell Williams, Produtor do Ano – Não Clássico

Além disso a cerimônia do Grammy 2019 ainda contou com diversas performances, entre elas: Lady Gaga subiu ao palco com os co-compositores de “Shallow” e Shawn Mendes dividiu os holofotes com Miley Cyrus em um dueto maravilhoso de “In My Blood”. Rolou homenagem para a Dolly Parton, que reuniu Katy Perry, Miley Cyrus e Kacey Musgraves cantando com a lenda do country americano.

O ícone Alicia Keys ainda fez um medley sensacional onde cantou músicas que gostaria de ter escrito, enquanto tocava DOIS pianos! Entre as canções performadas pela dona de 15 Grammys, estão: “Killing Me Softly” (Roberta Flack), “Unforgettable” (Nat King Cole), “Use Somebody” (Kings Of Leon), “In My Feelings” (Drake) e “Empire State of Mind”, sua parceria com JAY-Z.

E aí, o que acharam dos vencedores da premiação que reúne e celebra os grandes nomes da música no ano?

Anúncios

[2019] Leituras de Janeiro

Literatura, Na Estante

Todo mundo já sabe que a leitura é um dos meus maiores hobbies, entretanto o ano passado e o anterior foram meio confusos nessa área da minha vida, e acabei vacilando um pouco com a minha meta de leituras nesses anos.

Como resolvi comigo mesma que 2019 seria um ano diferente em um monte de pontos, resolvi começar colocando meus objetivos literários em ordem e criando um cronograma de leitura diário pra conseguir cumprir com todos os desafios propostos (não apenas os literários, mas vamos falar disso em um outro post).

Janeiro foi um sucesso no quesito leituras, inclusive estava numa fase maravilhosa lendo vários romances LGBT em sequência, porém, com a correria do dia a dia, não consegui resenhar aqui todos os livros que li, então resolvi compartilhar todos eles num único post, com sinopses e comentários ocasionais.

Assim sendo, confiram abaixo a lista com as Leituras de Janeiro de 2019:

1 .”Minha Vida não é uma Comédia Romântica” – Lola Salgado

Chloe Tavares não aguenta mais assistir de camarote seus planos indo por água abaixo. Já desistiu de três faculdades, cansou de lidar com as implicâncias de tia Célia e, para piorar, ser atendente de telemarketing na CarreTel está longe de ser o emprego dos sonhos (o tarado que telefona diariamente é um dos motivos). Ela precisa tomar uma atitude e dar um jeito em sua vida. Por que, então, não começar com um amor como o das comédias românticas? É o item mais fácil da lista, certo? Porém, ela nem podia sonhar que acabaria sendo amaldiçoada no caminho. E, dentre todas as coisas saindo do controle, talvez a pior seja o fato de o seu melhor amigo, Tales Gentil, começar a provocar coisas esquisitas em seu coração.

A resenha completa deste livro vocês encontram aqui 😀


2. “O Primeiro Natal – Um conto da série Batidas Perdidas” – Bianca Briones

O Primeiro Natal é um conto da série Batidas Perdidas, em que Rafael e Viviane retornam para mostrar seu primeiro Natal como pais.
Nessa época tão linda e encantadora do ano, veremos como está a vida dos dois, como estão lidando com as perdas que tiveram ao longo dos anos e o quanto seu amor é forte para sustentá-los.



Este livro acabei não conseguindo resenhar, mas é sempre uma delicia poder reencontrar esses personagens que a gente tanto ama, principalmente num conto tão cheio de emoção quanto esse.


3. “Quinze Dias” – Vitor Martins

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. 

Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. 

Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

A resenha completa deste livro vocês encontram aqui 😀


4. “Um Milhão de Finais Felizes” – Vitor Martins

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.
Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Gente, esse livro! Eu não consigo nem explicar o turbilhão de emoções em que entrei ao ler esse livro! A única coisa que posso dizer é que quero ler Sereios Gays, então providenciem! 
(e se vocês não sabem do que estou falando, é por que está na hora de lerem essa história maravilhosa!)


5. “Você tem a Vida Inteira” – Lucas Rocha

As vidas de Ian, Victor e Henrique se encontram de uma forma inesperada.
Ian conhece Victor no dia em que recebe o resultado de seu teste rápido de HIV. Os dois são universitários. Victor está envolvido com Henrique. Ian está solteiro. Os três são gays.
Dois deles têm a vida atingida pela notícia de um diagnóstico positivo para o HIV. Um não tem o vírus. Um está indetectável. Dois estão apaixonados. Henrique é mais velho e, depois de Victor, pensou que poderia acreditar de novo em alguém. Victor têm medo do que o amor pode trazer para a sua vida. Ian sequer sabe se será capaz de amar. Os três são, ao mesmo tempo, heróis e vilões de uma história que não é sobre culpa, mas sim sobre amor, amigos e sobre como podemos formar nossas próprias famílias.

Eu fiquei tão impactada com esse livro. Só soube chorar com aquele final maravilhoso. E a mensagem mais importante, acima de tudo é: “Está tudo bem”.


6. “O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude” – Mackenzi Lee

Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon Versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700.

Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens.

Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada umafesta hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Este, com certeza, foi um dos livros mais apaixonantes que já li em toda a minha vida! Fiquei muito impactada com a história, não apenas o romance me tirou o chão, mas toda a aventura e o mistério me deixaram sem fôlego.


7. “Apenas uma Garota” – Meredith Russo

Prestes a entrar na vida adulta, Amanda Hardy acabou de mudar de cidade, mas a verdadeira mudança de sua vida vai ser encarar algo muito mais importante: a afirmação de sua identidade. Tudo que ela mais quer é viver como qualquer outra garota. E, embora acredite firmemente que toda mudança traz a promessa de um recomeço, ainda não se sente livre para criar laços afetivos. Até que ela conhece Grant, um garoto diferente de todos os outros. Ela não consegue evitar: aos poucos, vai permitindo que Grant entre em sua vida. Quanto mais eles convivem, mais ela se sente impelida a se abrir e revelar seu passado, mas ao mesmo tempo tem muito medo do que pode acontecer se ele souber toda a verdade. Porque o segredo que Amanda esconde é que ela era um menino.

Em seu romance de estreia, Meredith Russo retrata o processo de transição de uma adolescente transexual, parcialmente inspirada em suas próprias experiências. Enquanto traz à tona questões difíceis como dilemas existenciais, preconceito e bullying, o livro também fala de forma esperançosa e leve sobre amizade, descobertas e autoaceitação.

Achei esse livro muito importante. Embora a história tenha me parecido um pouco fraca e superficial, a gente não pode negar a importância de um livro escrito por uma mulher trans, com uma protagonista trans e uma modelo trans na capa, abrindo caminho para muitos outros livros com este tema.


8. “Fera” – Brie Spangler

Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos – ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

Enquanto minha leitura anterior à essa foi um tanto quanto rasa, este livro, mesmo não tendo a protagonista trans, foi muito mais intenso e impactante. Nós não temos em nenhum momento o ponto de vista da Jamie, mas é possível sentir suas emoções e ter uma empatia gigantesca pela personagem. Além de falar sobre uma adolescente transgênera, o livro também aborda o bullying, o medo, o preconceito e a aceitação do próprio corpo, seja você transgênero ou não.


Enfim gente, essas foram as minhas leituras de janeiro. Preciso dizer que estou bem orgulhosa de ter voltado ao meu antigo ritmo, já que fiquei bem chateada comigo mesma quando vi que a minha lista de leituras de 2018 contou apenas com 30 livros 💔

Agora é só manter o ritmo e voltar no final de fevereiro com a minha listinha de livros do mês 😉

E aí, o que vocês estão lendo?

Confira os Indicados ao Oscar 2019

Cinema

Atenção, cinéfilos e cinéfilas do meu Brasil!

A espera finalmente acabou!

Foi liberada hoje (terça-feira, 22/01), às 11h20 (horário de Brasília) a tão aguardada lista com os filmes que concorrem ao prêmio máximo do cinema!

Apertem os cintos, e confiram abaixo os Indicados ao Oscar 2019:

Melhor Filme

Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Roma
Nasce Uma Estrela
Vice

“Green Book”

Melhor Atriz

Yalitza Aparicio (Roma)
Glenn Close (A Esposa)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce Uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

Melhor Ator

Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce Uma Estrela)
Willem Dafoe
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

“Nasce uma Estrela”

Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams (Vice)
Marina De Tavira (Roma)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

Melhor Ator Coadjuvante

Mahershala Ali (Green Book)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)

“Vice”

Melhor Direção

Spike Lee
Pawel Pawlikowski
Yorgos Lanthimos
Alfonso Cuarón
Adam McKay

Melhor Roteiro Original

The Favourite
First Reformed
Green Book
Roma
Vice

“Infiltrado na Klan”

Melhor Roteiro Adaptado

The Ballad of Buster Scruggs
BlacKkKlansman
Can You Ever Forgive Me?
If Beale Street Could Talk
A Star is Born

Melhor Figurino

The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra
A Favorita
O Retorno de Mary Poppins
Duas Rainhas

“A Favorita”

Melhor Cabelo

Border
Mary Queen of Scots
Vice

Melhor Direção de Arte/Design de Produção

Black Panther
The Favourite
First Man
Mary Poppins Returns
Roma

“Roma”

Melhor Trilha Sonora

Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Se a Rua Beale Falasse
Ilha de Cachorros
O Retorno de Mary Poppins

Melhor Canção Original

All the Stars – Black Panther
I’ll Fight – RBG
The Place Where Lost Things Go – Mary Poppins Returns
Shallow – A Star is Born
When A Cowboy Trades His Spurs For Wings – Ballad of Buster Scruggs

“Pantera Negra”

Melhor Fotografia

Cold War
The Favourite
Never Look Away
Roma
A Star is Born

Melhor Edição

Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book: O Guia
Vice

“Bohemian Rhapsody”

Melhor Edição de Som

Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Um Lugar Silencioso
Roma

Melhor Mixagem de Som

Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Roma
Nasce Uma Estrela

“O Primeiro Homem”

Melhores Efeitos Visuais

Avengers: Infinity War
Christopher Robin
First Man
Ready Player One
Solo: A Star Wars Story

Melhor Documentário

Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
RBG

“Vingadores – Guerra Infinita”

Melhor Animação

Os Incríveis 2
Ilha de Cachorros
Mirai
Wifi Ralph
Homem-Aranha no Aranhaverso

Melhor Filme Estrangeiro

Capernaum
Cold War
Never Look Away
Roma
Shoplifters

“Homem-Aranha no Aranhaverso”

Melhor Curta Metragem – Animação

Animal Behavior
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

Melhor Curta Metragem – Documentário

Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.

“Animal Behavior”

Melhor Curta Metragem – Live-Action

Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

Já estou preparando meu plano de ação para assistir a maioria desses filmes antes da cerimônia e fazer as minhas previsões, mas não é preciso ser um grande gênio para afirmar que “Green Book” e “Roma” são os favoritos da noite.

A cerimônia do Oscar vai ao ar no dia 24 de fevereiro, domingo, a partir das 22h (horário de Brasília).

E vocês, gente? Já têm suas apostas?

Me contem aqui nos comentários 😉

“Quinze Dias”

Literatura, Na Estante

Acho que já devo ter comentado aqui como tenho muita raiva de mim mesma quando fico muito tempo com um livro espetacular esquecido na prateleira.

Pois é, aconteceu de novo.

Comprei o “Quinze Dias” na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2017, por puro consumismo, depois de conhecer o Vitor Martins, autor dessa obra prima contemporânea, no estande da Globo Alt e ele narrar pra mim a premissa de sua história:

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. 

Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. 

Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Por mais que “Quinze Dias” pareça ser um livro com uma jornada “mundana”, sobre duas pessoas se conhecendo e se apaixonando durante 15 dias, havia algo de muito especial nessa premissa, uma coisa que a gente não vê por aí com muita frequência: um romance LGBT, leve e gostoso, como se fosse um desses filmes românticos, e sem final trágico (segundo o próprio Vitor Martins me informou antes da minha compra).

“E então, para quebrar o silêncio, eu digo a verdade. Porque quem diz a verdade abre o caminho para as coisas boas. Acho que foi minha mãe quem disse isso uma vez. Ou Dumbledore.”

Não me entendam mal, mas eu tô cansada de assistir filmes LGBT em que no final as duas pessoas nunca conseguem ser felizes, sempre tem uma delas que morre, ou não consegue sair do armário, ou um milhão de outros dramas. Eu só queria uma história leve e engraçada, cheia de amor e com um final maravilhoso e eu finalmente encontrei!

E essa é a minha coisa favorita sobre “Quinze Dias”.

Minha outra coisa favorita é que, mesmo o Felipe sendo gay, esse não é o “problema” da vida dele, pelo contrario, o personagem é muito bem resolvido sobre sua sexualidade, porém enfrenta muitos problemas de auto-estima e é assombrado pelas inseguranças que só um adolescente gordo, que sofre diariamente com bullying na escola, é capaz de entender.

“Terapia não é coisa de maluco! Na verdade, tem muita gente que fica maluca por falta de terapia!”

Nesses “Quinze Dias”, além de conviver com Caio, Felipe também vai amadurecer e aprender a se amar e a se achar lindo, exatamente do jeito que ele é. É notável a evolução do personagem durante a história. Como ele passa da pessoa que não consegue trocar duas palavras com Caio, para o garoto que conversa com o outro apenas no escuro, até enfim, depois de muito trabalho na terapia, conseguir falar com seu crush e mostrar quem realmente é.

“Eu já assisti a comédias românticas e frequentei sessões de terapia por tempo demais para saber que a minha felicidade não pode depender de outra pessoa. Mas ainda assim eu queria ter alguém que me chamasse de Vida e me convencesse a entrar na piscina e dissesse que me ama baixinho, de um jeito que só dá pra ouvir bem de perto.”

Todos os personagens são muito bem construídos, e muito bem aproveitados no decorrer da história, e eu me apaixonei por cada um deles de um jeito muito único e especial, principalmente pela mãe do Felipe. Que mulher maravilhosa, gente! Que personagem carismática e incrível.

“Todas as mães são, Felipe. Está na nossa genética. É difícil não ficar doida depois que um ser humano sai de dentro de você.”

Também me apaixonei pela pluralidade de seres humanos habitando as 208 páginas de “Quinze Dias”. Obrigada, Vitor, por me dar gays, lésbicas, gordos e gordas, e por trazer essa mensagem tão importante:

“Você não deveria ter vergonha de ser quem você é.”

O livro é super leve e gostoso de ler, Deus sabe que, se tivesse tido tempo nessa vida corrida, teria lido numa sentada só, por que não queria e mal conseguia parar de ler! Apesar de abordar homossexualidade, bullying, preconceito e as diferentes relações familiares, a trama flui de maneira natural e suave, com todos os temas sendo bem explorados, mas sem sufocar o leitor.

“Gente babaca vai existir sempre, mas a gente aprende a resistir. E isso é o mais importante. Não abaixar a cabeça e lutar pelo que você acredita.”

Chorei e me emocionei com os diálogos mais tocantes e também dei risadas muito altas no transporte público com inúmeras situações vividas por esses personagens tão queridos. Fiquei estupidamente empolgada com todas as referências à Cultura Pop e morri de amores por esse casal fofo e maravilhoso. Eu queria muito ser amiga deles. Sério.

“Conversas que nos ensinam coisas novas são as melhores conversas.”

No mais, a escrita do Vitor Martins é muito especial. Em momento algum senti que estava lendo um livro. A cada página, mais parecia que um amigo estava me contando essa história. Fiquei fascinada com a narrativa, com a simplicidade do enredo e das situações cotidianas, tão bem orquestradas, que mais pareciam a vida real. Só posso desejar que algum dia eu consiga escrever desse jeito.

“O mundo inteiro é seu.”

Enfim, “Quinze Dias” é um livro espetacular, a comédia romântica LGBT que todos nós pedimos à Deus, e ainda têm o bônus de ter sido escrito por um autor nacional mais do que talentoso!

E aí, já leu essa história?

Me conta aqui nos comentários 😉

“Homem-Aranha no Aranhaverso”

Cinema, Nas Telonas

Durante a CCXP de 2017 pude acompanhar o painel da Sony Pictures e assistir em primeira mão a entrevista com os produtores Christopher Miller e Phil Lord, que nos apresentaram, com exclusividade, o primeiro teaser de “Homem-Aranha no Aranhaverso”.

Desde então estou completamente obcecada com a ideia desse filme e praticamente fiz um calendário mental para contar os dias até sua estreia.

A espera acabou na última quinta-feira, 10 de janeiro, quando chegou aos cinemas de todo Brasil a mais nova animação do Teioso.

Situada no Universo Ultimate, a trama acompanha os passos do jovem Miles Morales, que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

“Homem-Aranha no Aranhaverso” é um respiro delicioso depois de todos os longas centrados em Peter Parker. Parece que a Sony finalmente entendeu que o público já estava meio cansado da mesma história de origem e resolveu investir em um novo protagonista, com uma nova história, novos dilemas e novos problemas.

A animação é uma das coisas mais bonitas e diferentes que já vi. Não EXISTE nada assim na história do cinema e parece que estamos assistindo a um quadrinho animado em três dimensões. Sério, a Direção de Arte desse filme é inacreditável, tudo nele é visualmente impressionante.

Além do visual belíssimo, que mistura diversos estilos de animação, o filme ainda faz várias referências aos quadrinhos, com os quadros de pensamento e os sons e barulhos. Fora todas as homenagens sutis aos Aranhas anteriores, não só os animados, mas também os live-actions e até os memes da internet.

O design é impecável e equilibra muito bem os traços em 2D dos Aranhas secundários com os em 3D do trio principal. Amei a clara referência aos animes com a Peni Parker e aos cartoons com o Porco Aranha, e tudo isso sem forçar a barra, é muito natural e bonito na tela.

Falando em coisas naturais e bonitas na tela, a interação entre os personagens é fantástica e cada um deles têm seu espaço para brilhar. Até mesmo os vilões, que tem pouco tempo em tela, são apresentados com uma profundidade palpável.

Outro ponto alto da animação é a trilha sonora, que estou escutando desde que sai do cinema:

O roteiro é impecável e muito bem desenvolvido, com diálogos coerentes e uma trama super convincente. O longa sabe equilibrar perfeitamente as sequências de ação, com a comédia e os momentos mais emocionantes. Perdi as contas de quantas vezes gargalhei no cinema, quantas vezes vibrei e gritei pelos personagens, e também quantas chorei em momentos de emoção pura.

“Homem-Aranha no Aranhaverso” não é apenas a melhor animação que já assisti, quiça o melhor filme do Homem-Aranha já feito. Talvez seja também o melhor longa de Super Heróis da atualidade.

Além de cair no gosto do público, o filme ainda levou o Globo de Ouro e o Critics Choice Movie Awards de Melhor Animação e estou com os dedos cruzados e torcendo muito para que ele receba também uma estatueta do Oscar

E aí, já foi aos cinemas conferir a nova aventura do Cabeça de Teia?

Me conta o que achou aqui nos comentários 😉

P.S.: a animação conta não apenas com uma, mas com duas cenas pós-créditos e, acredite em mim, você não vai querer sair do cinema sem assisti-las!

“Minha vida (não) é uma comédia romântica”

Literatura, Na Estante

No ano passado tive o prazer imenso de conhecer a escrita da autora Lola Salgado, através de seu livro “Sol em Júpiter“, publicado pela Harlequin. Lembro de ter sido fisgada primeiramente pela capa maravilhosa, pelo nome, que me remetia à astrologia (e todos sabemos que esse é meu calcanhar de Aquiles – vejam aqui), e, por fim, me apaixonei pela sinopse. Devorei o livro em pouquíssimo tempo e ele virou um dos meus favoritos de 2018.

Sério, eu fiquei tão obcecada pela história, e consequentemente pela autora, que minha primeira parada na Bienal do Livro de 2018 foi no estande da HarperCollins pra poder conhecê-la e dizer o quanto “Sol em Júpiter” tinha sido importante pra mim. Os detalhes desse encontro, vocês podem ler neste post aqui.

Sendo assim, a minha primeira leitura de 2019 não poderia deixar de ser o novo livro da autora, lançado em e-book pela Amazon, “Minha vida (não) é uma comédia romântica” entrou pra minha lista de desejos assim que a Lola liberou a capa no seu Instagram, em outubro, junto com a sinopse:

Chloe Tavares não aguenta mais assistir de camarote seus planos indo por água abaixo. Já desistiu de três faculdades, cansou de lidar com as implicâncias de tia Célia e, para piorar, ser atendente de telemarketing na CarreTel está longe de ser o emprego dos sonhos (o tarado que telefona diariamente é um dos motivos). Ela precisa tomar uma atitude e dar um jeito em sua vida. Por que, então, não começar com um amor como o das comédias românticas? É o item mais fácil da lista, certo?
Porém, ela nem podia sonhar que acabaria sendo amaldiçoada no caminho. E, dentre todas as coisas saindo do controle, talvez a pior seja o fato de o seu melhor amigo, Tales Gentil, começar a provocar coisas esquisitas em seu coração.

Pela sinopse pode parecer só mais um daqueles livros super clichês sobre se apaixonar pelo melhor amigo, mas gente, GENTE, não é! NÃO É SÓ ISSO NÃO! Eu ainda diria que o romance, mesmo sendo o foco principal da protagonista, acaba ficando em segundo plano quando a gente analisa o livro como um todo. “Minha vida (não) é uma comédia romântica” na verdade é sobre se descobrir e encontrar o seu lugar no mundo.

A Chloe tá perdidinha gente. Ela não sabe o que quer pra si mesma e nem qual rumo seguir na vida dela. A garota tá totalmente frustrada por trabalhar num telemarketing, ainda morar com os pais e não conseguir encontrar um curso na faculdade que vai realiza-la. O problema é que ela acha que arrumar um namorado vai fazer ela se sentir completa de novo e acaba ficando obcecada com isso, se metendo nas maiores enrascadas que vocês puderem imaginar.

Durante a leitura muitas vezes me vi na própria Chloe. Várias situações, inúmeras frases e incontáveis atitudes da personagem já aconteceram comigo, e me peguei as vezes rindo demais e as vezes chorando também, por que entendia muito bem os dramas pelos quais ela estava passando e sabia como certas coisas doíam.

A escrita da Lola é tão maravilhosa, que quando me dei conta estava percebendo as coisas junto com a Chloe. Por exemplo: no inicio da trama, a protagonista enxerga seu melhor amigo apenas assim, como um amigo, e eu também só o via assim. Chegou um ponto do livro em que fiquei morrendo de medo de não conseguir shippar o casal quando o momento chegasse. Mas então, quando Chloe começa a ter aqueles sentimentos conflitantes por Tales, GENTE, eu também comecei! Fiquei babando por ele igual ela!

Fora isso, todos os personagens são tão verdadeiros, tão tangíveis. É como se você virasse a esquina e pudesse dar de cara com eles, pois são pessoas comuns, com defeitos e qualidades. Eu desafio qualquer um a ler essa história e não enxergar na própria família uma Tia Célia, aquela pessoa que te ama sim (do jeito dela), mas não consegue deixar de fazer comentários mordazes, que fazem você se sentir um lixo, só pra poder se sentir melhor consigo mesma. Ou então uma Thais, aquela amiga que te entende por completo e nunca te julga.

A autora ainda foi super inclusiva, nos presenteando com uma variedade étnica enorme nesse livro, inclusive a própria protagonista é negra. Também amei que ela abordou a transição capilar e como a Chloe encontrou a própria identidade através dela, e ainda inspirou outras pessoas a passarem pelo processo.

“Minha vida (não) é uma comédia romântica” é aquele livro delicioso, que você termina de ler em uma sentada (se tiver tempo), que te faz rir loucamente, te faz chorar de emoção e de ódio em algumas situações, mas principalmente, é um livro que deixa o coração quentinho quando termina. Além de te fazer pensar um bocado na vida e nas suas escolhas.

Eu não poderia ter começado meu 2019 melhor ♥

E vocês, gente? O que estão lendo nesse 2019?

Me contem aqui nos comentários 🙂

“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”

Cinema, Nas Telonas

Na semana passada estreou nos cinemas de todo o Brasil um novo capítulo do “Wizard Word” concebido por J.K. Rowling, autora da série de livros do bruxo mais famoso do mundo. Desta vez a aventura é nas telas dos cinemas com “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald“, que conta com roteiro da própria Rowling e direção de David Yates, o responsável pelos quatro últimos filmes da série “Harry Potter” nos cinemas.

O segundo filme da franquia “Animais Fantásticos” se passa na Paris de 1928, apenas alguns meses após os acontecimentos de seu antecessor:

No longa, Newt Scamander (Eddie Redmayne) reencontra os queridos amigos Tina Goldstein (Katherine Waterston), Queenie Goldstein (Alison Sudol) e Jacob Kowalski (Dan Fogler). Ele é recrutado pelo seu antigo professor em Hogwarts, Alvo Dumbledore (Jude Law), para enfrentar o terrível bruxo das trevas Gellert Grindelwald (Johnny Depp), que escapou da custódia da MACUSA (Congresso Mágico dos EUA) e reúne seguidores, dividindo o mundo entre seres mágicos de sangue puro e seres não-mágicos.

Como Potterhead assumida, vou confessar que tinha grandes expectativas quanto à essa sequência, mas antes mesmo de comparecer aos cinemas para conferi-la fui bombardeada com inúmeros headlines de críticas negativas.

Obviamente evitei ler os textos pra não haver nenhuma influência na minha opinião, mas baixei minhas expectativas consideravelmente e devo dizer, nem isso ajudou muito.

Não é que o filme seja de todo ruim. Ele tem suas partes satisfatórias, como por exemplo o belíssimo visual, como todos os outros filmes desse Mundo Mágico, não decepciona. 
“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” pode muito bem receber indicações ao Oscar por “Melhores Efeitos Visuais”, “Melhor Maquiagem e Penteado” e “Melhor Figurino”. Inclusive o 3D desse longa é uma das melhores experiências que já tive, e olha que não sou muito fã, mas neste filme foi quase como magia, rs.

Outro ponto alto do filme foi a participação de Jude Law na pele de Alvo Dumbledore. Embora com pouco tempo de tela, o ator nos mostrou toda sua versatilidade ao cumprir com louvor a missão de interpretar um personagem tão icônico quanto o futuro Diretor de Hogwarts em sua versão mais jovem. É incrível como até alguns trejeitos de Michael Gambon (o Dumbledore da franquia “Harry Potter”) foram incorporados à performance de Law e trouxeram muito mais veracidade para o personagem.

Outra atuação digna foi a de Johnny Depp, que retornou como Gerardo Grindelwald. Embora eu não saiba muito bem se foi a performance de Depp que foi boa ou se meu ranço pelo ator transcendeu e contribuiu pro meu ódio pelo personagem… O caso é que Depp é tremendamente convincente na pele desse vilão, que não distribui sorrisos ou trejeitos bizarros como seus personagens anteriores, mas é frio e polido, sem exageros, e não convence seus seguidores pelo medo, como o cruel Voldermort, mas sim pela lábia afiada.

No cinema até brincamos chamando o personagem de “Bolsonaro Bruxo” e no final das contas essa foi a comparação mais verdadeira que fizemos quanto ao antagonista desta franquia. Foi assustador de tão verídico acompanhar como ele arrebanhava discípulos com apenas um discurso distorcido.

Infelizmente os pontos altos do filme ficam por aqui e não foram suficientes para fazer de 
“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” um longa satisfatório. Precisamos encarar um simples fato: J.K. Rowling é uma estupenda escritora de literatura, mas não é assim tão boa quando se trata de escrever um roteiro para o cinema.

E acho que o maior exemplo disso é o pouco brilho que o quarteto protagonista tem em tela. Não é um desempenho ruim, mas não é algo memorável como estamos acostumados em se tratando do Mundo Mágico (passaram bem longe de Harry, Rony e Herminone). Acho, inclusive, que se a gente tirasse Newt, Tina, Jacob e Queenie, a narrativa ficaria na mesma.

Me lembro da época em que “Animais Fantásticos e Onde Habitam” estreou nos cinemas e muita gente caiu matando em cima e criticou demais o roteiro da escritora, enquanto me mantive firme defendendo uma das minhas heroínas. E a verdade é que o roteiro do filme anterior da franquia não foi tão ruim e tão cheio de pontas soltas quanto esse. Muita gente vai dizer que essas pontas soltas na verdade são ganchos para as sequências, mas a sensação que tive na sala de cinema foi só a de enormes buracos na história. Assim não da pra te defender, J.K..

E que história, não é mesmo? Estou procurando pelos “Crimes de Grindelwald” até agora. E também pelos “Animais Fantásticos”. E se perguntarem, não consigo traçar uma linha clara do enredo desse filme. Parece que não acontece nada, mesmo que um milhão de coisas tenham acontecido. Juro que foi como sair do cinema depois da sessão de “O Hobbit: A Desolação de Smaug”: o mesmo filme longo, parado e em alguns pontos meio chato, com graves problemas de continuidade e sem nenhum clímax.

Mas pelo menos em O Hobbit eles tinham o dragão.

Acredito que se o roteiro tivesse focado em apenas dois plots e desenvolvido eles com propriedade, o filme teria sido um sucesso. Porém é muito difícil dar foco em 84 tramas diferentes no cinema. Pode ficar incrível nas páginas de um livro, mas as telas são uma mídia completamente diferente e algumas coisas precisam ser cortadas pelo bem do desenvolvimento do enredo.

Não quero nem comentar no desperdício da personagem Leta Lestrange, vivida por Zoë Kravitz, que poderia ter tido muito mais atenção e um plot muito mais bem desenvolvido. A história da personagem era incrível, mas acredito que se tivesse tido mais tempo para desenvolvimento em filmes futuros teria sido mais bem aproveitada. E olha que ela foi apenas um dos meus botes de expectativa afundados por esse longa. Decepção define.

Minha outra canoa naufragada foi a do Nicolau Flamel, que só apareceu como fan service e não fez nada de útil além de ser engraçadinho na cena com o Jacob. Gente, pra que colocar um dos nomes de mais peso no Mundo Bruxo num filme, se ele só vai aparecer pra ser inútil, contradizendo tudo o que ouvimos falar dele na saga “Harry Potter”?

E esse também é o caso da Nagini, concebida apenas pra ser a broderzinha do Credence, sem nenhuma relevância real para a história. E mais uma vez eu repito: pra que enfiar essa personagem no enredo? Pra que mais um plot com desenvolvimento precário?

Enfim, como puderam notar este é o relato de uma fã ensandecida de desgosto. Posso ficar aqui o dia todo falando mal desse filme, mas não garanto não jogar nenhum spoiler cabeludo na cara das pessoas.

No fim das contas  o que precisam saber é que é um filme lindo (visualmente falando), que, se você é um fã de Harry Potter, vale a pena sim conferir e tirar suas próprias conclusões. Se no final você não curtir, vai ter valido a pena por rever Hogwarts mais uma vez, ficar todo arrepiado (a) e chorar um pouquinho de saudade. Vai valer pelo Dumbledore e também pelo 3D mais magnifico que assistirá na vida.

Agora, é impontante ir preparado para um filme com muitos plots, onde nenhum deles é desenvolvido com eficiência, momentos em que você não sabe o que está acontecendo (e não de um jeito bom), e momentos totalmente desnecessários e que não fazem sentido algum.

Mas, talvez o mais importante: esteja preparado para um filme sem nenhum clímax no final e com um gancho para a sequência que deveria ser um plot-twist-mind-blowing, mas só conseguiu deixar os fãs confusos e furiosos, e gritando FAKE NEWS na sala de cinema. Inclusive, todos os possíveis plot twists dessa narrativa (e aqui inclui-se a mudança de lado de alguns personagens) foram tão mal elaborados que só pareceram um negócio meio sem pé nem cabeça.

E aí? Já assistiram “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”?

Me contem aqui nos comentários o que acharam.

O Retorno Militudo de “Supergirl”

Na TV

Exibida pela CW, a série baseada nos quadrinhos da personagem kryptoniana, “Supergirl”, retornou às telas americanas no dia 14 de outubro e iniciou seu 4º ano em grande estilo e com um tema pra lá de importante.

É engraçado eu ter ficado tão impactada com esse retorno, já que “Supergirl” sempre foi a série do Arrowverse que eu menos gostava… aquela mais fraquinha, deixada pra trás até por “Legends of Tomorrow”, porém nunca deixei de assistir. O show sempre teve uma qualidade que me prende, mesmo nas temporadas mais arrastadas.

MV5BZjVkNTAxMWUtZjM1OS00NmI0LWJhNTEtNTAyOTIzZmViNjZlXkEyXkFqcGdeQXVyMjI4OTg3MTc@._V1_

Neste novo ano o inimigo da “Supergirl” não é um vilão qualquer, fácil de liquidar. Desta vez nossa heroína vai ter que enfrentar o ódio de pessoas normais, mães e pais de família, “vilões” que não são essencialmente maus.

A série começa a abordar a xenofobia e os fatores que a desencadeiam, como fascismo, através de uma metáfora muito bem trabalhada: o ódio contra os imigrantes alienígenas buscando anistia na Terra. E esse assunto da intolerância é TÃO importante e se aplica demais à situação atual, não só do Brasil, mas do mundo.

MV5BNmY5MjE3YzYtYmFhYS00MGE2LWFmMGUtYWVhZWJkN2Y2Y2I4XkEyXkFqcGdeQXVyNjc5Mjg0NjU@._V1_.jpg

O interessante é que a Kara, até metade do primeiro episódio, parece só olhar para o próprio umbigo, já que não passou pelos preconceitos que outros alienígenas passaram e ainda passam. Claramente a nossa heroína representa aquela turma que faz parte da minoria, mas é coberta de privilégio e só enxerga o que de fato acontece depois de um choque de realidade.

A Kara não enxergar essa intolerância é exatamente o problema do mundo atualmente. Pra ela é muito fácil dizer que não sofre esse preconceito sendo idêntica à um ser humano, e ainda por cima loira linda e adorada por toda a população da Terra. Ela demora à entender a situação atual e os crimes de ódio cometidos contra os alienígenas, chegando inclusive à uma discussão acalorada com J’onn J’onzz, personagem que está totalmente engajado na defesa dessas minorias.

Parece muito com tudo o que estamos vendo atualmente na nossa sociedade, não?

MV5BNDgwYTY0NDQtNTMwOC00MTJlLWE1M2UtMTdlZGEyNWI1NTY0XkEyXkFqcGdeQXVyMjkyNTg0MTM@._V1_.jpg

Foi tão real e esmagadora a forma que trataram o preconceito contra os alienígenas, fazendo um paralelo gritante com a forma que os estadunidenses tratam os imigrantes. E na forma como os próprios brasileiros têm tratado alguns refugiados e algumas das minorias presentes na nossa sociedade.

Quando a Supergirl finalmente acorda para a realidade, o choque é grande, e é aquela sensação que todos temos aqui no peito:

“Pensar que há tanta raiva lá fora, eu não quero acreditar. Pensei que esse país, que nós tínhamos melhorado. Lutar contra algo tão vasto, unir um mundo tão dividido… é esmagador.”

Outro fator importantíssimo, que veio pra cimentar a posição da série à respeito de todas as minorias, foi a adição de uma atriz trans no elenco desta temporada.

MV5BMjgxMmNmYzUtYTQwZi00MTRhLWIyMWUtZjI4OTVhNzBmZmYwXkEyXkFqcGdeQXVyNjc5Mjg0NjU@._V1_

Nicole Maines interpreta Nia Nal, uma jovem jornalista transsexual, também conhecida como a heroína Dreamer. A personagem comenta durante o segundo episódio como já sofreu com o preconceito e hoje se posiciona em defesa dos alienígenas.

O lema “Earth First”, utilizado pelos “vilões” dessa temporada, pode ser sim uma referência ao “America First” de Donald Trump, mas também não deixa de ser uma referência ao “Brasil acima de tudo” que preencheu nossos ouvidos nos últimos meses.

Mais didático que isso impossível, obrigado por esse plot Greg Berlanti.

600966
Enfim, é sempre certo que quando envolve política, quase todos acabam apoiando algum lado e a maioria se tornando extremamente cega sobre o contexto da sociedade! “Supergirl” está de parabéns por tratar dessa temática de forma tão genuína, sem perder os princípios da série.

Você não precisa amar/gostar de todas as pessoas, mas você precisa respeitá-las.

Combate ao preconceito sempre.

Obrigada, “Supergirl”!

“Estilhaça-me”

Literatura, Na Estante

A resenha de hoje vem lá o fundo do meu bau, ou da minha estante, e vai falar de um dos livros distópicos mais apaixonantes que já li!

Encantador, poético e vertiginoso são apenas alguns adjetivos que uso para me referir à “Estilhaça-me”, de Tahereh Mafi.

Como todos sabem, ou não, tenho um enorme fraco por romances distópicos que costumam ser mais platônicos que qualquer outra coisa. Normalmente se passando em sociedades opressoras, onde um simples toque é um crime, e o amor proibido dos protagonistas te faz devorar páginas e mais páginas sem se dar conta do tempo. Esses romances me conquistam e fazem meu coração doer, mesmo sendo muito parecidos entre eles, com elementos já conhecidos, eles têm suas diferenças e características que os fazem únicos.

No romance de Tahereh Mafi, Juliette não toca alguém há exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez (que foi por acidente) foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas o Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma. E Juliette tem seus planos. Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez — e para obter um futuro com o único garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

Acho que o que faz de “Estilhaça-me” um romance único é o jeito com que Tahereh Mafi escreve. Nunca li nada parecido. No começo pareceu confuso, mas a partir do momento em que você entra no embalo das frases e sentenças tudo parece fazer mais sentido, fluir melhor, soa mais verdadeiro. É como se você estivesse sob pele da protagonista, com as emoções a flor da pele. Não acho que algum dia uma personagem tenha sido tão desnudada aos olhos do leitor quanto Juliette Ferrars foi nesse primeiro romance da autora.

A história se passa num futuro não muito distante, onde a Terra está morrendo, arrasada e devastada pela inconsequência do homem. As nuvens são das cores erradas, os pássaros não voam mais, os animais estão doentes e a população está morrendo de fome, sendo controlada pel’O Restabelecimento, que prometeu fazer a sociedade voltar a ser o que era antes.

Não é surpresa nenhuma quando tudo o que O Restabelecimento faz é oprimir os cidadãos, matar os fortes demais para uma rebelião, desprezar idosos e crianças. Vamos conhecendo essa realidade no decorrer do livro, morrendo de curiosidade para saber mais e descobrir o que aconteceu, já que a protagonista (nossos olhos e ouvidos nessa história) está presa em um manicômio há cerca de 3 anos e há 264 dias não toca ninguém.

2ng4lc0

Juliette é uma garota de 17 anos, e um dos únicos personagens essencialmente bons a quem me afeiçoei. Normalmente tenho uma queda por personagens com desvios de caráter e os bonzinhos demais chegam a me irritar. Mas foi diferente com a mocinha de Tahereh Mafi, talvez por causa de seu dom, que me lembrou tanto a minha personagem favorita dos X-Men, que foi impossível não gostar.

fe07a1ff8cb54e371665502a4ac230c81b36276a_hq

O toque de Juliette é letal, até mesmo fatal. Seus próprios pais lhe viraram as costas e ela sempre sofreu com o preconceito e a culpa de ser quem é. No inicio da trama é possível pensar que a personagem tenha até enlouquecido durante os anos de confinamento. A repetição de palavras, uma atrás da outra, as sentenças riscadas, o querer e não poder querer, ela é um livro aberto para o leitor, insana e esquecida de quem é. Pelo menos até ganhar um colega de cela, que faz perguntas demais e não responde nenhuma das dela.

tumblr_miu8864Cmf1qlbk36o1_500

Adam é um garoto que deve ter a idade dela, com tatuagens nos braços, olhos profundamente azuis e um sorriso fácil. O motivo de ele estar ali é um mistério e não sei dizer se é por que vemos tudo pelos olhos de Juliette (e tudo com ela é tão intenso e real que você acaba assimilando suas emoções), mas simplesmente não tem como não se apaixonar por ele.

E como dito anteriormente, costumo ter um fraco por personagens com desvios de caráter. Nesse livro não é diferente. Nosso vilão é o líder do Setor 45, que têm uma obsessão por Juliette e pelo poder dela. Apesar de ter apenas 19 anos, Warner é implacável, gosta de poder e está disposto a tudo para obtê-lo e mantê-lo. Ele pode ser bem desprezível, mas vou confessar, gostei muito dele.

Outra coisa que também gostei muito nesse livro é o crescimento da personagem principal. Conforme a história evolui, a própria Juliette evolui também. Conforme ela vai ficando mais sã as frases riscadas vão ficando mais raras no decorrer das páginas. Há verdade em seus pensamentos sobre si mesma, sobre as situações em que ela se encontra, sobre Adam e até mesmo sobre Warner.

Este primeiro livro fecha um ciclo de autoconhecimento para Juliette e nos dá um formidável gancho para a continuação, “Liberta-me”. Antes deste, ainda temos um e-book do ponto de vista de Warner, uma espécie de “1.5” intitulado “Destrua-me”, e disponibilizado gratuitamente. E esse e-book, juro, mexeu com todos os meus feelings em relação ao vilão que adorava odiar e agora adoro amar!

Além de “Liberta-me” a série ainda conta com “Incendeia-me”, o 3º livro, e um e-book com o ponto de vista de Adam, o “2,5”, “Fragmenta-me”.

Essa ano a autora resolveu ressuscitar a série com uma nova trilogia. O 4º livro, “Restaura-me”, foi lançado aqui no Brasil pela Universo dos Livros, e a Tahereh já divulgou a capa do 5º volume, “Shadow Me”, que deve ser lançado em março de 2019 nos Estados Unidos.

Screenshot_5.png

Sinceramente, eu ainda não tenho certeza se quero ler essa segunda trilogia. Sou terrivelmente traumatizada com “segundas trilogias” (obrigada por isso, Cassie Clare), e li algumas resenhas bem negativas sobre “Restaura-me”.

Enfim, quem aí já leu “Estilhaça-me”? O que acharam?

Me contem aqui nos comentários 😉

“Mensageira da Sorte”

Literatura, Na Estante

Eu ando extremamente preocupada com todos os desastres políticos pelo qual nosso país vem passando nas últimas semanas… acho que nunca estive tão engajada com uma eleição como estou nesse 2018, do tipo que não consegue nem dormir direito e tem pesadelos, entre outras coisas.

A literatura pra mim sempre foi um escape, e nesse show de horrores em que o Brasil se transformou, não podia existir melhor fuga do que um bom livro, e eu não poderia ter escolhido um título melhor pra me ajudar a espairecer nessa semana sombria!

Mensageira da Sorte” é o primeiro romance nacional publicado pela Plataforma21, um selo da V&R Editoras, e foi escrito por ninguém mais, ninguém menos que Fernanda Nia.

E se vocês nunca ouviram falar dessa autora maravilhosa, vem comigo que conto tudo!

FERNANDA NIA.png

A Fernanda Nia mora no Rio de Janeiro e se formou em Publicidade e Propaganda pela ESPM. No último período da faculdade, criou o site de tirinhas “Como eu realmente” como forma de extravasar a sua criatividade. Por causa da boa recepção do público, mantém até hoje o portal com o compromisso de postar duas tirinhas inéditas por semana, e em 2014 conquistou uma série de livros publicados pela Editora Nemo.

topo2012animado (2)

Além de autora, é também publicitária, ilustra e cria conteúdo para outros projetos do mercado editorial e publicitário, ou para clientes em geral. E nesse ano ela lançou seu primeiro romance YA, o “Mensageira da Sorte“:

A SORTE É IMPREVISÍVEL.

Em pleno Carnaval carioca, durante uma confusão em um protesto contra a AlCorp – uma corporação que controla o preço dos alimentos e medicamentos no país – Cassandra Lira, ou Sam, passa a ser uma mensageira temporária no Departamento de Correção de Sorte (DCS), uma organização extranatural secreta incumbida de nivelar o azar na vida das pessoas. 

Para manter esse equilíbrio, os mensageiros devem distribuir presságios de sorte ou azar para alguns escolhidos. O primeiro “cliente” de Sam é justamente o seu vizinho e colega de classe, Leandro. O garoto é um youtuber em ascensão e a ajuda dela, na forma de uma mensagem sobre nada menos que paçocas, impulsiona Leandro a fazer um vídeo que o levará para o auge da fama. O que Sam não sabe é que o rapaz também é um ávido participante dos protestos contra os abusos da AlCorp, comprometido a expô-los em seu canal, independentemente dos riscos que possa correr, e a garota se vê obrigada a usar a sorte do DCS para protegê-lo. 

Mesmo que não entenda por que foi escolhida para trabalhar para o Destino, logo ela se vê no meio de uma rede de intriga, corrupção e poder. 

Ainda lidando com a culpa pela morte do próprio pai e com seus sentimentos por Leandro, Sam embarcará na jornada de desmascarar a quadrilha que está deteriorando o sistema da Justiça, tanto a natural quanto a extranatural, e fazer com que a balança do Destino se equilibre outra vez.

Gente, primeiramente eu queria dizer que conheci a Fernanda na Bienal do Livro desse ano, inclusive menciono ela nesse post aqui. O engraçado é que eu não fazia ideia de quem ela era ou sobre o que se tratava seu livro. E agora só queria agradecer a Nicole com todas as minhas forças por ter insistido pra eu ficar na fila de autógrafos com ela e consequentemente adquirir meu “Mensageira da Sorte” e conhecer a autora no evento, por que essa história foi uma das melhores que eu li em 2018!

img_7747

Segundamente, a escrita leve e divertida da Fernanda te prende desde o primeiro paragrafo! Eu fiquei totalmente envolvida com a história logo de cara, apaixonada por todos os personagens, que inclusive são muito bem construídos, com características únicas e marcantes. Existe aquela coerência e fidelidade a si mesmos, que alguns autores as vezes esquecem de colocar nos personagens em nome das conveniências da história.

Também adorei toda a diversidade étnica presente no livro, e o fato das mulheres serem muito empoderadas! Quero destacar aqui a Ivana e a Cecilia, QUE GUERREIRAS, meus amigos! Amei a personalidade de cada uma delas, sua força interior e sua confiança nas próprias crenças. Essas duas lutaram pelo que acreditavam até o fim.

tumblr_nkxbcjUdsQ1qi23pgo1_500.gif

O casal principal também é só amor. Ambos, Sam e Leandro, têm seus demônios para lidar e cada um lida de um jeito totalmente diferente. Enquanto Sam se fecha em si mesma, Leandro se esconde atrás de piadas e um humor ácido. Existe uma dinâmica perfeita entre os dois, que conseguem ser fofos sem serem melosos. Os dois são bons e lutam pelo que é certo sem parecer aqueles protagonistas chatinhos, que nunca tem um pensamento ruim, ou nunca erram.

Inclusive, Sam entrou pra minha lista de mocinhas favoritas. Ela é a heroína, apesar de seus medos, inseguranças e limitações, é quem corre pra salvar os amigos, não a princesa na torre esperando o resgate.

O romance é um ponto muito bem abordado no livro. Não está em primeiro plano e não é aquela coisa forçada, sendo jogada na nossa cara a cada página. As coisas se desenvolvem num ritmo perfeito, tá ali num plano de fundo, acompanhando os plots principais, que são a missão da Sam como Mensageira Estagiária do DCS e todo o esquema de corrupção da Alcorp e os protestos.

mulheres_paulista.gif

Outra coisa executada com maestria por Fernanda Nia em “Mensageira da Sorte” são as piadas, o humor sarcástico e todas as referências nerds inseridas de forma muito elegante na história. Perdi as contas de quantas gargalhadas dei durante a leitura e de quantas referências me empolgaram entre os capítulos.

Agora, apesar do tom leve, a história trata de alguns assuntos mais delicados, como: a morte de entes queridos, depressão, opressão social, corrupção e a luta pelos direitos da população. Existem diversos momentos em que somos convidados a refletir sobre a vida, sobre o bem e o mal e sobre como nada é assim preto no branco, que existem milhares de tons de cinza misturados e como é muito fácil apontar o dedo e criticar as atitudes das pessoas sem conhecer a história completa.

C3E.gif

Acho que o que eu mais gostei em “Mensageira da Sorte” foi o fato de os vilões terem motivações plausíveis. Apesar de se tratar de um YA com um pézinho lá no sobrenatural, os personagens são tremendamente reais, bem gente como a gente, inclusive os vilões! Suas atitudes não são motivadas apenas pela maldade em seus corações e a vontade de dominar o mundo! Todo mundo chegou onde chegou devido à escolhas difíceis e movidos por sentimentos bem legítimos.

Essa história foi tão real que, quando terminei o livro, fiquei esperando um Mensageiro vir me trazer um presságio de sorte pra equilibrar a minha balança, que ta pendendo ridiculamente pro lado do azar. Como diria um amigo meu, parece que a Sorte olha pra mim e desvia, então alô, Mensageiros da Sorte, tá na hora de me ajudar aqui!

giphy (8)

Enfim, “Mensageira da Sorte” é um livro completo! Possui ação, aventura, mistério, comédia e romance na medida certa. É um livro leve, perfeito pra se desintoxicar daquela leitura mais pesada, ou sair da fossa naquela semana mais tenebrosa, e, apesar disso, ainda te faz refletir muito sobre as coisas importantes da vida, sobre solidariedade, sobre certo e errado e sobre felicidade e finais felizes.

E não posso deixar de exaltar essa capa maravilhosa, com detalhes incríveis que fazem alusão à peças importantíssimas dessa história! A diagramação da Plataforma21 também é de fazer chorar de tão bonita! Amei que o livro tem aquelas páginas mais amarelinhas e com uma gramatura bem leve, parecida com a de jornal.

Pra finalizar, fica aqui esse pequeno quote do livro, um dos meus favoritos:

“Não existem finais felizes. Felicidade é uma busca constante”

E ai gente, bateu aquela vontade de ler “Mensageira da Sorte”?

Pra quem já leu, me conta aqui nos comentários o que achou 😉