“Meu carro, minha cilada”: Aquela com a correia do alternador

Meu carro minha cilada

Neste primeiríssimo episódio da série “Meu carro, minha cilada”, vou compartilhar com vocês um thriller de horror chamado “a vez em que quebrei a correia do alternador do meu carro bem no meio de uma vizinhança muito suspeita”, ou, para abreviar: AQUELA COM A CORREIA DO ALTERNADOR.

Então apertem os cintos, meus nobres companheiros, pois vamos viajar quase um ano no tempo e aterrissar diretamente em uma noite fria e confusa lá pelas bandas de São Caetano do Sul, em São Paulo.

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São Caetano do Sul é conhecida lá na região do Grande ABC, e talvez em toda a Região Metropolitana de São Paulo, como uma cidade segura, com melhor qualidade de vida, etc… mas as coisas não são bem assim…

Comecei a conhecer melhor esse peculiar município quando, em 2010, iniciei meu curso de Comunicação Social na FAENAC, que mais tarde foi comprada pela Anhanguera, o que resultou no estopim de todo esse desastre. É bem importante eu começar mencionando a faculdade, já que foi graças a ela que me meti nessa cilada pra inicio de conversa.

A cidade já tinha me dado outro susto anteriormente, e por coincidência esse episódio tenebroso também teve a ver com a faculdade e um certo carro: eis que eu e meus companheiros de grupo estávamos caminhando em direção ao ponto de ônibus em um final de semestre aleatório, muito satisfeitos com a apresentação de nosso trabalho final, quando um Hyundai I30 estaciona ao nosso lado bem de mansinho e um monte de sujeito armado desce e pede as nossas bolsas.

Depois disso eu aprendi que São Caetano não era tão linda assim e dei graças a Deus quando o campus da faculdade mudou de lugar, já que eu JAMAIS conseguiria passar naquela rua de novo depois do fatídico assalto.

Enfim, roubos horripilantes a parte, a história com a correia do alternador começou quando eu estava tentando resolver algumas pendências. Tinha acabado de iniciar a terapia no ano passado e a terapeuta estava me instigando a organizar minha vida, tirar os esqueletos do armário, etc, e essa minha faculdade era uma das pedras no meu sapato. Entendam: até hoje não consegui pegar meu diploma, por inúmeros motivos complicados que não consigo nem começar a explicar pra vocês.

O fato é que, euzinha, louca pra começar a resolver essas pendengas ai e dar uma renovada na vida, segui os conselhos da minha terapeuta e enviei algumas mensagens para a Ouvidoria da faculdade, tentando despachar esse encosto de uma vez por todas. Obviamente nada se resolve via e-mail e eu fui convocada a comparecer ao campus…

Espertíssima que sou, pego o endereço daquele pardieiro no Google, pois quando estudava ia pra lá de ônibus, e atualmente só consigo me locomover de carro com sucesso usando um GPS. Com meu destino definido saio do trabalho, que na época era lá na Vila Madalena, por volta das 19h, e sigo confiante de que naquele dia ia começar a resolver uma parte dos meus problemas.

Ah, caros amigos, mas que ledo engano.

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Depois de pegar um trânsito desgraçado e achar o caminho todo muito feito e perigoso, faço a curva da rua da faculdade e já sinto a atmosfera toda muito estranha. Sem brincadeira, parecia o cenário perfeito de um filme de terror. Eu juro que não me lembrava do lugar daquele jeito e, graças a Deus, desisti de estacionar mais atrás e ir andando, com aquele medo de não achar vagas lá na frente, já que não tinha nada lá na frente. Nem carros, nem pessoas, nem o antigo bar onde eu costumava comer risole e, pasmem: TAMBÉM NÃO TINHA FACULDADE.

Dava pra ver uma bola de feno fantasmagórica rolando pela rua enevoada. O prédio da faculdade estava completamente abandonado e com uma enorme placa de VENDE-SE na frente. Como o lugar inteiro estava me dando arrepios, sai em disparada pela rua, cantando pneu e cai na avenida, que era um pouco mais movimentada. Parei no primeiro posto de gasolina que encontrei e resolvi perguntar.

O frentista que me atendeu só disse se lembrar de uma Faculdade Anhanguera: a sinistra da Rua Amazonas, a mesma onde fui assaltada com meus colegas alguns anos atrás.

Já com um pressentimento ruim, resolvi recorrer ao meu amigo Google novamente, que insistia em me informar apenas o endereço do prédio onde eu havia estado, entretanto, quando entrei no site da faculdade e procurei pela unidade de São Caetano, achei o segundo endereço, aquele funesto que não deve mais ser nomeado.

Definindo um novo rumo no meu GPS, já completamente emputecida, parti em direção ao meu destino.

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Chegando naquela quebrada sinistra, cheia de morros, estava com meu coração na mão, já que, com meus pneus completamente carecas desde aquela época, subir pelas ruas íngremes é quase como cortejar a morte.

Quando virei a esquina meu medo se transformou em fúria quando dei de cara com mais um prédio abandonado com uma placa de VENDE-SE na frente.

Depois de um piti de perua, que consiste em mim mesma gritando, bufando, cuspindo e esmurrando o volante de ódio, me lembrei que tava no meio de um lugarzinho tenebroso e resolvi sair fora, cantando pneus de novo, já que sou veloz, furiosa e dramática. Ajustei a rota do GPS pra casa, e já tava elaborando o e-mail mal criado que ia mandar pro povo dessa faculdade, amaldiçoando até a milésima geração deles depois dessa audácia toda.

O negócio minha gente é que o GPS, mais precisamente o Wase (vamos dar nome aos bois), é famoso por enfiar a galera numas enrascadas geográficas. Comecei a cair numas quebradas terríveis, o nervoso foi aumentando, a rota sendo recalculada, eu errando caminho, já tava quase chorando de frustração quando enfiei o carro numa rua interditada e senti um tranco no volante.

Com aquela dor de barriga safada, tentei sair do lugar e fazer o retorno, e daí senti o volante pesado e duro, como se de repente meu carro não fosse mais hidráulico.

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Consegui manobrar com muito esforço, me lembrando das aulas na auto-escola com aqueles putos com direção mecânica, e depois dirigi enlouquecida, como que perseguida pelo próprio Diabo, até chegar em um lugar mais ou menos conhecido por mim.

Só relaxei mesmo quando consegui enfiar o carro na garagem, sem arrancar o portão de casa e nem arrebentar o carro do meu pai, que divide a garagem com o meu, já que o volante insistia em ficar duro e eu mal conseguia manobrar.

O mais engraçado é que eu estava tão nervosa e transtornada, que nem me passou pela cabeça parar em um posto de gasolina e chamar o seguro do carro ou pedir ajuda. Eu só pensava em chegar em casa o mais rápido possível, depois de tudo o que passei.

Depois de narrar os fatos catastróficos da noite, quando finalmente estava na segurança do meu lar, meu pai na hora constatou que o problema tinha sido a safada da correia do alternador, que quebrou em um momento de necessidade tão grande.

Graças a Deus o papis é meio mecânico, comprou outra correia pra mim e fez a troca, então pelo menos essa cilada não me deu prejuízos financeiros, apenas emocionais.

No final das contas, mandei mesmo aquele e-mail descascando pra Faculdade Anhanguera, que me respondeu que a Unidade São Caetano do Sul tinha sido fechada e os alunos enviados para a Unidade Santo André. Passei tanto ódio quando li esse e-mail que até hoje não fui lá tentar resolver isso.

Quanto ao carro… bom, tem muito mais ardis e prejuízos esperando por vocês nos próximos posts dessa série.

E tus? Já passaram por algum perrengue parecido?