“Quinze Dias”

Literatura, Na Estante

Acho que já devo ter comentado aqui como tenho muita raiva de mim mesma quando fico muito tempo com um livro espetacular esquecido na prateleira.

Pois é, aconteceu de novo.

Comprei o “Quinze Dias” na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2017, por puro consumismo, depois de conhecer o Vitor Martins, autor dessa obra prima contemporânea, no estande da Globo Alt e ele narrar pra mim a premissa de sua história:

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. 

Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. 

Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Por mais que “Quinze Dias” pareça ser um livro com uma jornada “mundana”, sobre duas pessoas se conhecendo e se apaixonando durante 15 dias, havia algo de muito especial nessa premissa, uma coisa que a gente não vê por aí com muita frequência: um romance LGBT, leve e gostoso, como se fosse um desses filmes românticos, e sem final trágico (segundo o próprio Vitor Martins me informou antes da minha compra).

“E então, para quebrar o silêncio, eu digo a verdade. Porque quem diz a verdade abre o caminho para as coisas boas. Acho que foi minha mãe quem disse isso uma vez. Ou Dumbledore.”

Não me entendam mal, mas eu tô cansada de assistir filmes LGBT em que no final as duas pessoas nunca conseguem ser felizes, sempre tem uma delas que morre, ou não consegue sair do armário, ou um milhão de outros dramas. Eu só queria uma história leve e engraçada, cheia de amor e com um final maravilhoso e eu finalmente encontrei!

E essa é a minha coisa favorita sobre “Quinze Dias”.

Minha outra coisa favorita é que, mesmo o Felipe sendo gay, esse não é o “problema” da vida dele, pelo contrario, o personagem é muito bem resolvido sobre sua sexualidade, porém enfrenta muitos problemas de auto-estima e é assombrado pelas inseguranças que só um adolescente gordo, que sofre diariamente com bullying na escola, é capaz de entender.

“Terapia não é coisa de maluco! Na verdade, tem muita gente que fica maluca por falta de terapia!”

Nesses “Quinze Dias”, além de conviver com Caio, Felipe também vai amadurecer e aprender a se amar e a se achar lindo, exatamente do jeito que ele é. É notável a evolução do personagem durante a história. Como ele passa da pessoa que não consegue trocar duas palavras com Caio, para o garoto que conversa com o outro apenas no escuro, até enfim, depois de muito trabalho na terapia, conseguir falar com seu crush e mostrar quem realmente é.

“Eu já assisti a comédias românticas e frequentei sessões de terapia por tempo demais para saber que a minha felicidade não pode depender de outra pessoa. Mas ainda assim eu queria ter alguém que me chamasse de Vida e me convencesse a entrar na piscina e dissesse que me ama baixinho, de um jeito que só dá pra ouvir bem de perto.”

Todos os personagens são muito bem construídos, e muito bem aproveitados no decorrer da história, e eu me apaixonei por cada um deles de um jeito muito único e especial, principalmente pela mãe do Felipe. Que mulher maravilhosa, gente! Que personagem carismática e incrível.

“Todas as mães são, Felipe. Está na nossa genética. É difícil não ficar doida depois que um ser humano sai de dentro de você.”

Também me apaixonei pela pluralidade de seres humanos habitando as 208 páginas de “Quinze Dias”. Obrigada, Vitor, por me dar gays, lésbicas, gordos e gordas, e por trazer essa mensagem tão importante:

“Você não deveria ter vergonha de ser quem você é.”

O livro é super leve e gostoso de ler, Deus sabe que, se tivesse tido tempo nessa vida corrida, teria lido numa sentada só, por que não queria e mal conseguia parar de ler! Apesar de abordar homossexualidade, bullying, preconceito e as diferentes relações familiares, a trama flui de maneira natural e suave, com todos os temas sendo bem explorados, mas sem sufocar o leitor.

“Gente babaca vai existir sempre, mas a gente aprende a resistir. E isso é o mais importante. Não abaixar a cabeça e lutar pelo que você acredita.”

Chorei e me emocionei com os diálogos mais tocantes e também dei risadas muito altas no transporte público com inúmeras situações vividas por esses personagens tão queridos. Fiquei estupidamente empolgada com todas as referências à Cultura Pop e morri de amores por esse casal fofo e maravilhoso. Eu queria muito ser amiga deles. Sério.

“Conversas que nos ensinam coisas novas são as melhores conversas.”

No mais, a escrita do Vitor Martins é muito especial. Em momento algum senti que estava lendo um livro. A cada página, mais parecia que um amigo estava me contando essa história. Fiquei fascinada com a narrativa, com a simplicidade do enredo e das situações cotidianas, tão bem orquestradas, que mais pareciam a vida real. Só posso desejar que algum dia eu consiga escrever desse jeito.

“O mundo inteiro é seu.”

Enfim, “Quinze Dias” é um livro espetacular, a comédia romântica LGBT que todos nós pedimos à Deus, e ainda têm o bônus de ter sido escrito por um autor nacional mais do que talentoso!

E aí, já leu essa história?

Me conta aqui nos comentários 😉

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“Minha vida (não) é uma comédia romântica”

Literatura, Na Estante

No ano passado tive o prazer imenso de conhecer a escrita da autora Lola Salgado, através de seu livro “Sol em Júpiter“, publicado pela Harlequin. Lembro de ter sido fisgada primeiramente pela capa maravilhosa, pelo nome, que me remetia à astrologia (e todos sabemos que esse é meu calcanhar de Aquiles – vejam aqui), e, por fim, me apaixonei pela sinopse. Devorei o livro em pouquíssimo tempo e ele virou um dos meus favoritos de 2018.

Sério, eu fiquei tão obcecada pela história, e consequentemente pela autora, que minha primeira parada na Bienal do Livro de 2018 foi no estande da HarperCollins pra poder conhecê-la e dizer o quanto “Sol em Júpiter” tinha sido importante pra mim. Os detalhes desse encontro, vocês podem ler neste post aqui.

Sendo assim, a minha primeira leitura de 2019 não poderia deixar de ser o novo livro da autora, lançado em e-book pela Amazon, “Minha vida (não) é uma comédia romântica” entrou pra minha lista de desejos assim que a Lola liberou a capa no seu Instagram, em outubro, junto com a sinopse:

Chloe Tavares não aguenta mais assistir de camarote seus planos indo por água abaixo. Já desistiu de três faculdades, cansou de lidar com as implicâncias de tia Célia e, para piorar, ser atendente de telemarketing na CarreTel está longe de ser o emprego dos sonhos (o tarado que telefona diariamente é um dos motivos). Ela precisa tomar uma atitude e dar um jeito em sua vida. Por que, então, não começar com um amor como o das comédias românticas? É o item mais fácil da lista, certo?
Porém, ela nem podia sonhar que acabaria sendo amaldiçoada no caminho. E, dentre todas as coisas saindo do controle, talvez a pior seja o fato de o seu melhor amigo, Tales Gentil, começar a provocar coisas esquisitas em seu coração.

Pela sinopse pode parecer só mais um daqueles livros super clichês sobre se apaixonar pelo melhor amigo, mas gente, GENTE, não é! NÃO É SÓ ISSO NÃO! Eu ainda diria que o romance, mesmo sendo o foco principal da protagonista, acaba ficando em segundo plano quando a gente analisa o livro como um todo. “Minha vida (não) é uma comédia romântica” na verdade é sobre se descobrir e encontrar o seu lugar no mundo.

A Chloe tá perdidinha gente. Ela não sabe o que quer pra si mesma e nem qual rumo seguir na vida dela. A garota tá totalmente frustrada por trabalhar num telemarketing, ainda morar com os pais e não conseguir encontrar um curso na faculdade que vai realiza-la. O problema é que ela acha que arrumar um namorado vai fazer ela se sentir completa de novo e acaba ficando obcecada com isso, se metendo nas maiores enrascadas que vocês puderem imaginar.

Durante a leitura muitas vezes me vi na própria Chloe. Várias situações, inúmeras frases e incontáveis atitudes da personagem já aconteceram comigo, e me peguei as vezes rindo demais e as vezes chorando também, por que entendia muito bem os dramas pelos quais ela estava passando e sabia como certas coisas doíam.

A escrita da Lola é tão maravilhosa, que quando me dei conta estava percebendo as coisas junto com a Chloe. Por exemplo: no inicio da trama, a protagonista enxerga seu melhor amigo apenas assim, como um amigo, e eu também só o via assim. Chegou um ponto do livro em que fiquei morrendo de medo de não conseguir shippar o casal quando o momento chegasse. Mas então, quando Chloe começa a ter aqueles sentimentos conflitantes por Tales, GENTE, eu também comecei! Fiquei babando por ele igual ela!

Fora isso, todos os personagens são tão verdadeiros, tão tangíveis. É como se você virasse a esquina e pudesse dar de cara com eles, pois são pessoas comuns, com defeitos e qualidades. Eu desafio qualquer um a ler essa história e não enxergar na própria família uma Tia Célia, aquela pessoa que te ama sim (do jeito dela), mas não consegue deixar de fazer comentários mordazes, que fazem você se sentir um lixo, só pra poder se sentir melhor consigo mesma. Ou então uma Thais, aquela amiga que te entende por completo e nunca te julga.

A autora ainda foi super inclusiva, nos presenteando com uma variedade étnica enorme nesse livro, inclusive a própria protagonista é negra. Também amei que ela abordou a transição capilar e como a Chloe encontrou a própria identidade através dela, e ainda inspirou outras pessoas a passarem pelo processo.

“Minha vida (não) é uma comédia romântica” é aquele livro delicioso, que você termina de ler em uma sentada (se tiver tempo), que te faz rir loucamente, te faz chorar de emoção e de ódio em algumas situações, mas principalmente, é um livro que deixa o coração quentinho quando termina. Além de te fazer pensar um bocado na vida e nas suas escolhas.

Eu não poderia ter começado meu 2019 melhor ♥

E vocês, gente? O que estão lendo nesse 2019?

Me contem aqui nos comentários 🙂

“Estilhaça-me”

Literatura, Na Estante

A resenha de hoje vem lá o fundo do meu bau, ou da minha estante, e vai falar de um dos livros distópicos mais apaixonantes que já li!

Encantador, poético e vertiginoso são apenas alguns adjetivos que uso para me referir à “Estilhaça-me”, de Tahereh Mafi.

Como todos sabem, ou não, tenho um enorme fraco por romances distópicos que costumam ser mais platônicos que qualquer outra coisa. Normalmente se passando em sociedades opressoras, onde um simples toque é um crime, e o amor proibido dos protagonistas te faz devorar páginas e mais páginas sem se dar conta do tempo. Esses romances me conquistam e fazem meu coração doer, mesmo sendo muito parecidos entre eles, com elementos já conhecidos, eles têm suas diferenças e características que os fazem únicos.

No romance de Tahereh Mafi, Juliette não toca alguém há exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez (que foi por acidente) foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas o Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma. E Juliette tem seus planos. Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez — e para obter um futuro com o único garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

Acho que o que faz de “Estilhaça-me” um romance único é o jeito com que Tahereh Mafi escreve. Nunca li nada parecido. No começo pareceu confuso, mas a partir do momento em que você entra no embalo das frases e sentenças tudo parece fazer mais sentido, fluir melhor, soa mais verdadeiro. É como se você estivesse sob pele da protagonista, com as emoções a flor da pele. Não acho que algum dia uma personagem tenha sido tão desnudada aos olhos do leitor quanto Juliette Ferrars foi nesse primeiro romance da autora.

A história se passa num futuro não muito distante, onde a Terra está morrendo, arrasada e devastada pela inconsequência do homem. As nuvens são das cores erradas, os pássaros não voam mais, os animais estão doentes e a população está morrendo de fome, sendo controlada pel’O Restabelecimento, que prometeu fazer a sociedade voltar a ser o que era antes.

Não é surpresa nenhuma quando tudo o que O Restabelecimento faz é oprimir os cidadãos, matar os fortes demais para uma rebelião, desprezar idosos e crianças. Vamos conhecendo essa realidade no decorrer do livro, morrendo de curiosidade para saber mais e descobrir o que aconteceu, já que a protagonista (nossos olhos e ouvidos nessa história) está presa em um manicômio há cerca de 3 anos e há 264 dias não toca ninguém.

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Juliette é uma garota de 17 anos, e um dos únicos personagens essencialmente bons a quem me afeiçoei. Normalmente tenho uma queda por personagens com desvios de caráter e os bonzinhos demais chegam a me irritar. Mas foi diferente com a mocinha de Tahereh Mafi, talvez por causa de seu dom, que me lembrou tanto a minha personagem favorita dos X-Men, que foi impossível não gostar.

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O toque de Juliette é letal, até mesmo fatal. Seus próprios pais lhe viraram as costas e ela sempre sofreu com o preconceito e a culpa de ser quem é. No inicio da trama é possível pensar que a personagem tenha até enlouquecido durante os anos de confinamento. A repetição de palavras, uma atrás da outra, as sentenças riscadas, o querer e não poder querer, ela é um livro aberto para o leitor, insana e esquecida de quem é. Pelo menos até ganhar um colega de cela, que faz perguntas demais e não responde nenhuma das dela.

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Adam é um garoto que deve ter a idade dela, com tatuagens nos braços, olhos profundamente azuis e um sorriso fácil. O motivo de ele estar ali é um mistério e não sei dizer se é por que vemos tudo pelos olhos de Juliette (e tudo com ela é tão intenso e real que você acaba assimilando suas emoções), mas simplesmente não tem como não se apaixonar por ele.

E como dito anteriormente, costumo ter um fraco por personagens com desvios de caráter. Nesse livro não é diferente. Nosso vilão é o líder do Setor 45, que têm uma obsessão por Juliette e pelo poder dela. Apesar de ter apenas 19 anos, Warner é implacável, gosta de poder e está disposto a tudo para obtê-lo e mantê-lo. Ele pode ser bem desprezível, mas vou confessar, gostei muito dele.

Outra coisa que também gostei muito nesse livro é o crescimento da personagem principal. Conforme a história evolui, a própria Juliette evolui também. Conforme ela vai ficando mais sã as frases riscadas vão ficando mais raras no decorrer das páginas. Há verdade em seus pensamentos sobre si mesma, sobre as situações em que ela se encontra, sobre Adam e até mesmo sobre Warner.

Este primeiro livro fecha um ciclo de autoconhecimento para Juliette e nos dá um formidável gancho para a continuação, “Liberta-me”. Antes deste, ainda temos um e-book do ponto de vista de Warner, uma espécie de “1.5” intitulado “Destrua-me”, e disponibilizado gratuitamente. E esse e-book, juro, mexeu com todos os meus feelings em relação ao vilão que adorava odiar e agora adoro amar!

Além de “Liberta-me” a série ainda conta com “Incendeia-me”, o 3º livro, e um e-book com o ponto de vista de Adam, o “2,5”, “Fragmenta-me”.

Essa ano a autora resolveu ressuscitar a série com uma nova trilogia. O 4º livro, “Restaura-me”, foi lançado aqui no Brasil pela Universo dos Livros, e a Tahereh já divulgou a capa do 5º volume, “Shadow Me”, que deve ser lançado em março de 2019 nos Estados Unidos.

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Sinceramente, eu ainda não tenho certeza se quero ler essa segunda trilogia. Sou terrivelmente traumatizada com “segundas trilogias” (obrigada por isso, Cassie Clare), e li algumas resenhas bem negativas sobre “Restaura-me”.

Enfim, quem aí já leu “Estilhaça-me”? O que acharam?

Me contem aqui nos comentários 😉

“As Crônicas Lunares: Cinder”

Literatura, Na Estante

Todo mundo já teve aquele livro que comprou há muito tempo, mas que, por algum motivo desconhecido, acabou meio que deixado de lado, pegando poeira na estante e depois, quando finalmente foi lido, deixou aquela sensação de: “Meu Deus, como eu fui burra! Por que não li isso antes? Por que perdi todo esse tempo?”

Cinder” – uma releitura do clássico da Cinderela –, primeiro volume da série “As Crônicas Lunares”, escrito pela genial Marissa Meyer, e publicado aqui no BR pela Editora Rocco, foi um desses livros pra mim.

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É importante salientar que eu quis ele por muito, muito tempo mesmo. A Cinderela pode nunca ter sido uma das minhas princesas favoritas (algo entre ser uma empregada em sua própria casa, o instantly love durante o baile e a parte em que o príncipe mal lembra da cara da mulher por quem supostamente está perdidamente apaixonado, sempre me incomodou nessa história), mas eu tenho um fraco enorme por adaptações de contos de fadas, e quando alguém resolve misturar isso com ficção-científica, que é um dos meus gêneros favoritos tanto na literatura, quanto no cinema, é praticamente impossível o desejo por essa história não virar a minha cabeça.

Enfim, depois de querer esse livro tão profundamente e por tanto tempo, e não ter adquirido esse bonitinho devido aos preços EXORBITANTES praticados pela editora, quando finalmente coloquei as mãos nessa belezinha (depois de uma Black Friday particularmente sangrenta) botei o danado na minha estante e fiquei olhando pra ele com carinho. Por dias. Por semanas. Por meses. E depois por anos. Não sei bem o motivo, provavelmente foi a pressão de querer algo por tanto tempo e, depois de tê-lo, ficar com medo de não ser tão bom, por causa das expectativas altíssimas. O fato é que, chegou um ponto em que eu apenas fiquei esperando a editora lançar o restante da série aqui no Brasil, pra eu poder comprar todos e ler tudo de uma vez.

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O que finalmente me fez tirar “Cinder” da prateleira foi a confirmação da vinda da Marissa Meyer para a 25ª Bienal do Livro de São Paulo, e preciso confessar o quão arrependida estou por ter deixado essa história espetacular pegando poeira por tanto tempo na minha estante.

Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, “Cinder” é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

Neste conto de fadas cibernético, que pode ser classificado como uma distopia, mas que tem todas as características de um cyberpunk intergalático de tirar o fôlego, somos apresentados à jovem ciborgue Cinder, uma mecânica brilhante que vive intimidada pela Madrasta sem coração, na cidade de Nova Pequim, a capital da Comunidade das Nações Orientais, um “país” erguido sobre os escombros da antiga Ásia, após a Quarta Guerra Mundial, num mundo assolado por uma misteriosa e contagiosa praga, a letumose.

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Este universo futurista não é habitado apenas por humanos e ciborgues, sendo que estes últimos são mal vistos pela sociedade em geral e tratados como párias, mas também por androides (robôs com Inteligência Artificial avançada), e os temidos lunares. Na história, gerações antes, a Lua foi colonizada e seus habitantes deixaram de ser humanos há muito tempo, inclusive possuem a habilidade de manipular os pensamentos, emoções e ações dos outros, utilizando uma espécie de glamour tão natural à eles quanto respirar. Aqui, a Terra e a Lua têm uma relação tênue, com a ameaça de guerra iminente por parte da rainha lunar, a cruel Levana, pairando sobre a União Terráquea.

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Com esse background, é impossível não enaltecer a genialidade da autora. Se a gente parar pra pensar, com todos esses elementos, essa história poderia ter dado muito errado. O brilhantismo de Marissa Meyer ao reger e guiar o enredo de forma instigante e natural faz com que essa seja uma leitura rápida, divertida e que prende o leitor do inicio ao fim.

Uma das minhas coisas favoritas presentes nesse livro foi a diversidade étnica apresentada. É muito difícil ler uma história onde os personagens fujam do esterótipo caucasiano, e aqui nós temos um livro inteiro ambientado no que seria a nossa Ásia, com uma gama de personagens orientais.

Falando neles, os personagens são todos muito bem construídos e coerentes, fazendo jus à suas idades, vivências e motivações. A minha maior surpresa foi me apaixonar tanto pelo androide Iko, que faz as vezes de ajudante e melhor amiga de Cinder.

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Todos os elementos principais do conto da Cinderela estão presentes de algumas formas inesperadas dentro dessa adaptação, inclusive o romance, que aqui fica quase como que subentendido: ele está presente, porém é mais como um plano de fundo, um coadjuvante numa história muito maior.

Acredito que o único ponto negativo que vi na obra (e nem sei se da pra chamar assim, já que ultimamente isso tem acontecido muito comigo, e não apenas na literatura), foi que acabei  matando o plot twist, que foi revelado nas ultimas 50 páginas, nas 50 primeiras.

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Pra finalizar, “Cinder” é apenas a ponta do iceberg de uma trama muito maior, e que continua em “Scarlet”, o segundo livro da série, que vai nos apresentar uma releitura da história da Chapeuzinho Vermelho, e cruzar o destino dessas duas personagens. Tenho certeza que ainda tem muita água pra rolar nessa saga, que conta com mais dois exemplares: “Cress” e “Winter”, todos lançados aqui no BR e que serão lidos e devidamente resenhados aqui no blog nas próximas semanas.

“As Provações de Apolo: O Labirinto de Fogo”

Literatura, Na Estante

Parece que o bicho pegou no terceiro livro da série “As Provações de Apolo”, de Rick Riordan.

E se você não faz ideia do que estou falando, vem comigo que vou te contextualizar:

“As Provações de Apolo” é a nova série do autor best-seller responsável pelo sucesso “Percy Jackson e os Olimpianos”. A história se passa no mesmo universo de sua antecessora, mais precisamente logo após o final de “Os Heróis do Olimpo”, quando, após despertar a fúria de Zeus, o deus do Sol acaba sendo castigado e expulso do Olimpo, caindo na Terra (mais especificamente numa caçamba de lixo em Nova Iorque) como um mero mortal, desprovido de seus poderes e, mais importante, de seu abdômen tanquinho.

Aqui Apolo precisa aprender a sobreviver como um adolescente espinhento e barrigudinho, descobrir um jeito de voltar às boas graças de Zeus e reconquistar sua divindade.

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Mas isso tudo rolou lá no primeiro livro, “O Oráculo Oculto” e desde então muita água rolou e a gente percorreu um longo caminho.

Vou confessar que essa era a série de livros do tio Rick que eu menos estava levando a sério. E tudo bem que o Rick Riordan é tipo o Dan Brown dos livros de fantasia infanto-juvenil… e isso quer dizer que, basicamente, não importa o titulo que estivermos lendo, sempre estaremos vendo a mesma história, só que com personagens diferentes…

Mas, mesmo estando sempre lendo a mesma história, eu sou completamente apaixonada pela escrita do Rick Riordan e o modo como ele consegue adaptar mitologia grega, romana, egípcia e nórdica para os dias atuais e fazer com que crianças e adolescentes do mundo inteiro se encantem e aprendam com essas histórias.

Então, acho que não importa o livro que ele lançar, eu vou sempre ler… e mesmo que nos primeiros livros eu não estivesse sentindo tanta firmeza em “As Provações de Apolo”, persisti quando a Editora Intrínseca lançou em maio deste ano a terceira parte dessa aventura, “O Labirinto de Fogo”:

No terceiro livro da série, o deus Apolo vai ser posto à prova ao enfrentar uma perigosa armadilha

Apolo, o deus mais glorioso e belo que já existiu, causou a ira de Zeus e foi expulso do Olimpo. Ele foi parar na terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em Nova York. Agora, ele é Lester Papadopoulos, um mortal desajeitado e sem poderes divinos. Para reconquistar seu lugar ao lado do todo-poderoso, Apolo terá que libertar cinco oráculos desaparecidos.

Com a ajuda de alguns amigos semideuses, como Percy Jackson, Leo Valdez e a desbocada Meg McCaffrey, Apolo conseguiu sobreviver às duas primeiras provações de sua temporada terrena. Agora, ele vai ter que enfrentar mais um componente do triunvirato do mal formado por antigos imperadores romanos e deve descer até o Labirinto de Dédalo para impedir que o terceiro imperador destrua o próximo oráculo da lista.

Olha gente, uma das coisas que mais curti dessa série é que ela revisita praticamente todos os protagonistas dos livros anteriores do autor e, eu não sei vocês, mas eu amo muito rever meus personagens favoritos e ver como anda a vida deles depois de todas as tretas que enfrentaram anteriormente. E normalmente é bem bom, por que nossos queridos estão super felizes e se dando bem na vida, certo? ERRADO!

“Os heróis têm que estar sempre prontos para fazer sacrifícios”. 

Rick Riordan nos presenteia com uma escrita jovial e divertida, como de costume, mas ela também ficou muito mais madura neste volume. Mesmo com todas as referências que me fizeram gargalhar, dessa vez, os personagens e eu sofremos pra valer. Eu não me lembro quando foi a ultima vez que chorei em um livro do autor, mas ele pegou bem pesado nesse.

Apesar do começo cheio daquela enrolação característica dos livros do tio Rick, rapidamente a leitura engrena e entra num ritmo frenético.

Foi com prazer que vi uma evolução incrível do Apolo nesse volume. Logo ele, que começou totalmente egoísta e cagando para a maior parte dos personagens (bem como um deus deve ser mesmo), aqui começa a apresentar um lado mais humano. Ele começa a pensar e a sentir como um mortal e a entender o abismo que há entre ser um deus e um humano. Como os deuses às vezes tratam a vida mortal como sendo algo descartável e, com isso, percebe como ele mesmo tratou tantas pessoas ao longo de sua vida imortal, e agora, sendo um mortal, enfrenta as consequências de muitas dessas atitudes.

“Os deuses não costumam sentir a dor da perda de um grifo, de algumas dríades ou mesmo de um ecossistema inteiro. Ah, eu não tenho nada a ver com isso, pensaríamos. 
Mas, quanto mais tempo eu passava naquele corpo mortal, mais me abalava com até mesmo a menor das perdas.”

Este é, com certeza, o melhor livro da série até agora, que fez, inclusive, com que eu finalmente me conectasse com alguns personagens que não tinham conseguido me fisgar durante toda a série anterior.

A história teve tudo: o desenvolvimento de personagens que precisavam crescer, ação, morte, drama e a inclusão de personagens antigos sem parecer forçado.

Riordan finalmente fez coisas que ele estava com muito medo de fazer em livros anteriores. Ele matou personagens protagonistas, colocou os mocinhos para apanhar, nos deu mais realidade de uma batalha do que em livros anteriores, onde era tudo fácil para nossos protagonistas.

Enfim, toda a carga dramática elevou o nível da série a outro patamar e agora só nos resta esperar pela sequência e morrer de ansiedade para saber como a história vai se desenrolar a partir de agora, e quais serão as consequências dos eventos desastrosos que presenciamos neste livro.

E você, já conferiu algum livro do Rick Riordan? Me conta o que achou nos comentários!

 

 

 

“Mais que Amigos”

Literatura, Na Estante

Sabe aquele clichêzinho delicioso? Aquele romance água com açúcar, com um quê de comédia, ideal para ser lido em um dia frio? Pois bem, já pode entrar, “Mais que Amigos”, da Lauren Layne!

O mais engraçado de tudo é que eu subestimei esse livro totalmente! Vi a capa, li o título, espiei a sinopse e sai julgando lindamente. E, se não fosse pela Karina Carvalho, que me deu a dica nesse post do Instagram, eu provavelmente nunca teria lido e nunca teria me apaixonado por essa história.

Lançado em abril deste ano, pelo selo Paralela, do Grupo Companhia das Letras, o livro gira em torno de dois melhores amigos, Parker Blanton e Ben Olsen, que, desafiando todas as probabilidades e opiniões alheias, são apenas amigos, muito obrigada.

Aos vinte e dois anos, a jovem Parker Blanton leva a vida que sempre sonhou. Tem um namorado inteligente e responsável, um emprego promissor e a companhia de seu melhor amigo, Ben Olsen, com quem divide um lindo apartamento.
Parker e Ben são tão grudados que muita gente duvida que eles morem sob o mesmo teto sem nunca ter vivido um caso, mas eles não se importam com o que as pessoas pensam. Sabem que não foram feitos um para o outro — pelo menos não para se envolver.
Por isso, quando um acontecimento inesperado faz com que Parker se veja sem namorado e com o coração partido, ela sabe que pode contar com Ben para ajudá-la a sacudir a poeira e partir para outra. Afinal, ninguém seria mais ideal do que seu melhor amigo para lhe mostrar os prazeres da vida de solteiro… certo?
Mais que amigos é uma comédia romântica irresistível!

Uma das coisas que mais gostei nesse livro é que os personagens são MUITO reais. Apesar do clichê já esperado de melhores amigos que se apaixonam, a Parker não tem nada de mocinha otária, do tipo donzela indefesa, e o Ben está bem longe de ser um príncipe no cavalo branco. São personagens muito bem desenvolvidos, com pontos positivos e negativos, aspirações, inseguranças e, graças a Deus, nada perfeitos.

A relação de amizade desses protagonistas é uma das coisas mais lindas que já vi na vida. Eles são companheiros demais, se apoiam, se respeitam, são extremamente leais e estão sempre disponíveis um pro outro. Isso faz ser totalmente compreensível que os dois tenham tanto medo dos sentimentos que começam a perceber em relação ao outro. Quem ia querer estragar esse tipo de amizade? Quem ia querer que ela mudasse?

A escrita da Lauren Layne é descontraída, rápida e enxuta, a autora não perde tempo com nada que não seja necessário para a história se desenvolver, mas mesmo assim consegue fazer a gente se conectar com os personagens de uma forma surreal. Me vi torcendo por eles, rindo com eles, chorando com eles e gritando com eles.

Narrado em primeira pessoa, com capítulos que revezam o ponto de vista de Ben e Parker, essa história apaixonante é a pedida certa pros intervalos entre leituras mais pesadas, ideal pra descontrair, se apaixonar, suspirar, desejar ter uma amizade dessas e um xodó como Ben Olsen.

E aí, alguém já leu esse livro? Me contem o que acharam nos comentários 😀