Throwback: New York, New York

Na Estrada, Throwback

Se tem um negócio que eu gosto de fazer é viajar. Normalmente não importa o lugar, se tenho a chance de botar o pé na estrada, não perco tempo: preparo minha mochila, compro minhas passagens, arranjo uma companhia (ou não) e parto em direção ao horizonte.

Na maior parte das vezes eu viajo sozinha, mas sempre tenho o costume de encontrar alguém no meu destino final. Como minha fama de perdida não me deixa mentir, acabo tendo um pouquinho de medo de me aventurar sozinha pelo desconhecido sem ter alguém pra me dar uma sensaçãozinha de segurança. Esse medo multiplica-se por mil se estivermos falando de uma viagem internacional, onde não conheço a cultura, os costumes e nem mesmo a língua falada no lugar.

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Graças a Deus uma das minhas prirmãs (no caso aquela prima que é quase uma irmã) fez as malas e se mandou pros States há uns 10 anos, então, quando resolvi botar minha cara num sol gringo, não importou muito que meu inglês se resumisse à “the book is on the table“, quando a oportunidade surgiu apenas comprei minhas passagens, fiz minhas malas e parti em direção a uma das melhores viagens da minha vida.

O post de hoje é o ponta pé inicial de mais uma série aqui no blog: o Throwback pela minha viagem dos sonhos à Nova Iorque, que rolou no final de 2015 e começo de 2016 e me proporcionou, entre outras coisas, aquela experiência maravilhosa de conhecer o inverno e o natal mais famosos do mundo.

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Inicialmente eu planejava fazer apenas um post e contar toda essa minha aventura de uma vez só pra vocês, mas, quando fui dar uma olhadinha no meu arquivo de fotos da viagem, tomei aquele sustinho básico com as mais de 1.200 imagens registradas pela câmera do meu iPhone 5, e percebi que não ia dar pra resumir tudo aquilo numa postagem só.

Então a partir de hoje, e pelas próximas semanas, vamos ter toda quinta-feira um #tbt muito especial, contando todas as peripécias que rolaram nessa viagem dos sonhos.

Apertem os cintos e brace yourselves, porquê winter is coming 😉

Mas vocês sabem o que é a Panelinha?

Eu Mesma, Minha Vida Maravilhosa, Throwback

Entre os anos de 2006 e 2007 eu tinha umas poucas paixões na vida:

  • Trabalhar numa locadora de filmes (a mesma que citei neste post);
  • Assistir todos os filmes que passavam pela minha mão nessa locadora;
  • Gastar meu salário inteiro em livros;
  • Jogar Gunbound;
  • Harry Potter;
  • E postar no Fotolog;

Esses dois últimos aí me permitiram conhecer algumas das pessoas mais importantes da minha vida, e me fez compreender que “esse negócio” de amizade pela internet pode dar muito certo sim!

Talvez hoje em dia não tenha muita contenda em cima das amizades virtuais da vida, mas há uns dez anos, quando isso aqui era tudo mato, era meio polêmico.

A gente não tinha as mesmas ferramentas e facilidades que temos hoje, e olha que mesmo assim você ainda pode estar conversando com o “mano do balde frango frito”, ao invés da sua amiguinha internauta. Fora esse tipo de suspeita, ainda tinha toda a desconfiança dos pais também, e das pessoas totalmente céticas que achavam que não tinha como criar um laço afetivo forte que fosse atravessar essa barreira do mundo digital e do tempo.

Só queria dizer que eu e as minhas amigas conseguimos, tá? Nós somos a prova viva de que é possível sustentar uma amizade verdadeira apesar da distancia e de todos os outros empecilhos que foram surgindo no decorrer desses mais de dez anos de companheirismo.

Mas vocês devem estar se perguntando: “Beleza, e o que diabos isso tudo tem a ver com a tal da Panelinha?“.

Ora, meus amigos. Tem tudo a ver, já que nós somos a Panelinha ♥.

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Vamos do inicio.

Ali no final da minha adolescência, eu resolvi unir duas das minhas paixões em uma só.

Eu já tinha uma conta no Fotolog, onde eu postava fotos e escrevia umas barbaridades. Mencionei no primeiro post do blog sobre a minha paixão por escrita, né? Pois bem, eu costumava assassinar o português nesse meu Fotolog. É um negócio de que tenho muita vergonha alheia, mas apesar das lágrimas de sangue que me escapam dos olhos cada vez que leio algo daquela época, não me arrependo, já que a Panelinha não seria possível sem aquelas minhas atrocidades todas.

Chegou um ponto em que eu resolvi postar apenas fotos referentes ao universo Potterhead na minha conta do Fotolog, e daí passei a me envolver nessa comunidade, curtir e comentar em outros Fotologs que tinham a mesma finalidade que o meu, e desse jeito acabei conhecendo algumas das pessoas por trás daqueles “.com’s” maravilhosos. Era gente desse Brasil inteiro: Recife-PE, Poções-BA, Curvelo-MG, Curitiba-PR, Birigui-SP, Belo Horizonte-MG, Goiânia-GO, Itajaí-SC, Rio de Janeiro-RJ e, claro, São Paulo-SP.

Eu não sei bem quando a gente finalmente se fechou em um grupo, mas me lembro de quando surgiu o termo “Panelinha”. Existiam uma infinidade de Fotologs com a temática “Harry Potter” naquela época, mas quando realizamos a primeira conversa no Messenger do MSN (essa geração Millennial nunca vai compreender a magnitude de um serviço como o Messenger do MSN, eles nunca saberão o que era mandar indiretas no nickname, nem chamar a atenção do amiguinho sem parar, enfim…), ficou decretado que éramos a “Panelinha de Harry Potter do Fotolog”.

Aquela foi só a primeira conversa em grupo no MSN, quando combinamos todas de entrarmos na internet no mesmo horário pra fazer uma festa virtual em comemoração ao aniversário de uma das meninas. Eu, claro, esqueci totalmente o horário de verão e cheguei uma hora atrasada. Mas aquilo não importou, a partir daquele dia virou hábito entrar todo dia no MSN e conversarmos. A partir daquele dia nos tornamos a Panelinha.

A coisa toda evoluiu. Mais pessoas foram adicionadas ao grupo, e assim como migramos do Fotolog para o MSN, logo estávamos no Orkut, depois no Facebook e finalmente no Whatsapp, onde seguimos até hoje.

Mas se vocês acham que a nossa amizade ficou restrita aos canais digitais, eu tenho uma surpresa: certo ano a gente inventou um negócio chamado CMP, a “Conferência Mundial da Panelinha”, onde escolheríamos uma cidade do Brasil ou do Mundo e todas embarcaríamos com o mesmo destino.

Desde então, todo ano tem uma CMP em algum lugar do Brasil (ainda não do mundo, mas tenho a impressão de que logo mais isso muda), nós já visitamos Recife, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, isso sem contar todos os outros trânsitos para visitar umas às outras enquanto não conseguimos nos organizar numa CMP nova.

Eu não digo que tudo foram sempre rosas. A gente já brigou, e já teve gente que saiu do grupo, mas a gente também fez as pazes e acho que no fim das contas tudo isso serviu pra cimentar pro resto das nossas vidas essa amizade. A gente já esteve presente em momentos tão importantes das vidas umas das outras que a essa altura do campeonato já não tem mais como voltar atrás.

No final de 2015 nasceu o primeiro baby da Panelinha (oi Tetê, sua linda ♥) e ela ganhou um bocado de tias corujas que adoram ela e acompanham de perto essa vidinha tão preciosa.

No inicio desse ano eu fui madrinha de um casamento Panelístico pra lá de lindo lá em Curitiba, que mobilizou todo o nosso grupo, e comparecemos em peso à esse evento. Antes do final de 2018 ainda vamos ter mais 2 casamentos muito especiais e já estamos comprando as nossas passagens para estarmos presentes nesse momento tão extraordinário nas vidas das nossas irmãs por escolha.

Sei que algumas pessoas podem viver a vida inteira sem conhecer uma amizade assim, e nem estou falando de uma amizade virtual, estou falando de uma irmandade, e sou imensamente grata por ter tropeçado nessas meninas maravilhosas há mais de dez anos.

Obrigada por existirem, obrigada por estarem presentes em momentos tão importantes da minha vida, obrigada pelo amor de vocês, por entenderem, por não julgarem, obrigada por sempre me dizerem a verdade, obrigada por me fazerem rir e principalmente, obrigada por nunca deixarem isso morrer. Amo vocês, meninas.

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Agora que todo mundo já sabe o que é uma Panelinha, quero saber se vocês têm uma amizade tão especial assim na vida. Podem me contar aí nos comentários 😀

Aquela do trauma capilar que todo mundo já teve…

Minha Vida Maravilhosa, Moda & Beleza, Throwback

Foi-se o tempo em que eu era apegada com cabelo, mas teve uma época na minha vida em que a simples menção à palavra “tesoura” me fazia tremer todinha, e nem era de excitação, como acontece hoje em dia.

O ano é 2007, lá no finalzinho dele, na verdade, e eu tinha acabado de terminar o ensino médio. Prestes a fazer 18 anos e emocionada com a adquirida liberdade capilar (minha mãe tinha me dito que eu só poderia pintar meu cabelo quando fizesse 18 anos), quis dar aquela radicalizada. Havia passado anos com aquele cabelão enorme e escuro, que batia lá pelo meio das costas, e resolvi que queria o mesmo corte que a Rihanna tinha feito na época, o famigerado chanel com ponta, que a danada ostentou no clipe de “Umbrella”:

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Entretanto meus amigos, nessa época eu era uma falida. Trabalhava de segunda à sábado numa locadora de vídeos (a geração Netflix nunca vai conhecer a emoção do aluguel de VHS e DVD num fim de semana), ganhando míseros 500 golpinhos por mês, que eu torrava alegremente no site do Submarino, enquanto engordava minha precária coleção de livros.

Como vocês podem imaginar, naquele tempo eu não podia me dar ao luxo de ir à um salão da moda e gastar com cabelo o que eu gasto hoje em dia. Logo, achei que era uma ideia IN-CRÍ-VEL entregar minhas madeixas na mão de uma “experiente” escola de cabeleireiros, que cobrava a bagatela de 10 reais por corte. Você me ouviu bem. Dez reais o corte. DEZ REAIS. Como isso poderia dar errado?

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Olha gente, deu errado. Deu muito, muito, muito errado mesmo.

Deu tão errado que eu passei QUATRO ANOS sem cortar meu cabelo. QUATRO ANOS chorando ao ouvir o som de uma tesoura.

Pra resumir, eu cheguei lá cheia de esperanças de sair parecendo a Rihanna, mas tive essas esperanças cruelmente despedaçadas pela açougueira que ousava se chamar de cabeleireira. Eu fiquei, na verdade, a cara do Playmobil.

E, se você é jovem demais pra saber o que é um Playmobil, abaixo seguem imagens de dor e sofrimento:

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A mulher simplesmente amarrou meu cabelo em duas maria-chiquinhas, bem na nuca, e aí, antes que eu pudesse protestar, tosou toda a minha cabeleira gloriosa. Eu fiquei tão em choque que só consegui observar todo meu cabelo indo embora. Me senti a própria a Camila de “Laços de Família”, quando raspam toda a cabeça dela.

E, se você também é jovem demais pra saber quem diabos é a Camila, abaixo cenas fortes:

Mas não acaba aí. Não. Tem mais.

Aquela bruaca ainda roubou meu cabelo. Hoje tenho certeza que ela cagou na minha cabeça só pra poder se apropriar dos meus fios longos e naturais.

Quando me recuperei do choque rodei a baiana no salão. Não lembro bem o que eu disse, mas envolveu muita saliva voando, muitas lágrimas de desespero e, para o meu horror, um pouco de ranho também.

No fim eu não paguei pelo corte e segui chorando muito por semanas a fio.

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Mas, como toda desgraça pra pobre é pouco, não contente em estar parecendo um Playmobil, eu tive a brilhante ideia de pintar meu cabelo de vermelho.

Queria muito que meus amigos da época tivessem me parado. Mas acho que todos nós tínhamos uma visão muito deturpada do que era e do que não era legal naquele tempo.

Basicamente, eu sempre quis ter cabelo ruivo e fui inocente o bastante pra achar que a mesma cor que o Cavalo de Fogo usava nas suas mechas ficaria bem em mim, e melhoraria a merda toda.

Não melhorou.

E se você é jovem demais pra saber o que é um Playmobil e quem é a Camila de “Laços de Família”, provavelmente não tem ideia de quem o Cavalo de Fogo é, por isso, segue referência:

Enfim gente, eu não vou colocar aqui fotos minhas da época, por motivos de: minha autoestima simplesmente não aguenta olhar por muito tempo pra essa humilhação toda.

Mas acredito que vocês já têm um retrato bem claro da minha situação no final de 2007 nas suas cabecinhas, e já podem imaginar todo o trauma que me assolou e me impediu de adquirir a minha liberdade capilar por muito tempo depois dessa tragédia toda.

Graças a Deus eu tive um tempo de desapego também, que conto mais pra frente aqui no blog, mas esse tempo foi essencial pra que eu me libertasse das amarras que me diziam que só um cabelo longo era bonito.

Hoje em dia eu aprendi uma valorosa lição, não só referente ao meu cabelo, mas pra tudo nessa vida: é muito melhor pagar mais caro em um serviço e ter a certeza de que vai sair do jeito que você quer, do que economizar e cagarem na sua cabeça, literalmente…

Por que amigos, o barato quase sempre sai mais caro.

Finalizando, eu quero saber de vocês, algum trauma capilar no histórico?

Conta pra mim!