Ninguém é invencível na 3ª temporada de Stranger Things

Na TV

Estreou pela Netflix no último 4 de julho a nova temporada do fenômeno mundial: Stranger Things, e graças ao abençoado feriadão em São Paulo nesse último fim de semana, consegue maratonar os novos episódios e já adianto: o show protagonizado por Winona Ryder e David Harbour chegou à seu terceiro ano sem perder a mão e muito mais assustador do que de costume.

Dispensando maiores apresentações, deixo aqui meu aviso de possíveis spoilers no texto a seguir, que vai abordar a minha humilde opinião e os meus sentimentos sobre as novas aventuras de Eleven, Mike, Will, Dustin, Lucas e Max, tentando impedir mais uma ameaça iminente, diretamente do Mundo Invertido.

Primeiramente é preciso dizer que este novo ano está diferente dos anteriores. Não que as Coisas Estranhas do título sejam realmente estranhas ao público, pelo contrário, acredito que as esquisitices já estejam mais familiares e talvez perdendo um pouco da graça, já que retornamos ao mesmo ciclo de “opa, portal pro Mundo Invertido sendo aberto, opa, Devorador de Mentes devorando mentes”. Porém, essa nova temporada traz algumas coisas novas aos espectadores.

Acho que a mudança mais gritante são as próprias crianças, que já não são mais tão crianças assim. O susto é grande logo no começo, quando, já no primeiro episódio, somos apresentados a nova dinâmica entre Eleven e Mike: aquela onde eles não conseguem tirar a língua de dentro da boca um do outro.

Mas calma. Não é algo gratuito e nem recorrente pelo resto da temporada. Acredito que tenha sido uma daquelas coisas pra ilustrar como eles realmente cresceram. E a temporada foi recheada desses momentos: como em certo episódio, quando vemos alguns flashbacks das crianças na primeira temporada e ali é GRITANTE como eles amadureceram.

E aí, meus amigos, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Por que nessa temporada percebemos como as crianças não são mais intocáveis. Não vou negar que fiquei horrorizada com cenas em que eles levavam PORRADA! Foi muito chocante perceber que eles estavam apanhando igual gente grande.

Outro ponto, um que Mike vem batendo na tecla a algum tempo, é a questão da invencibilidade de Eleven. É bem claro como o grupo depende da garota para combater os inimigos, e acaba apostando todas as fichas em suas habilidades. Mas e quando nem ela é forte o bastante para lutar contra essa ameaça?

Acho que essa temporada também serviu para que nós mesmos, e não apenas os personagens de Strangers Things, não dependêssemos tanto dos dons de Eleven, afinal ela ainda é apenas uma garota, de carne e osso, que se esgota, se machuca e toma porrada na cara também.

Mais uma diferença entre essa e as demais temporadas é a fragmentação do grupo. É meio clássico do show desenvolver plots diferentes pelos diversos núcleos da trama. Cada grupo sempre teve um arco próprio, que ia se desenvolvendo em paralelo a algum aspecto da trama, e no final todos esses personagens juntavam os pedaços de seus quebra-cabeças e tinham a visão total do enredo. Sempre achei esse um recurso bem instigante. Além da curiosidade com o que viria a seguir, tinha também a ansiedade para o momento em que todo mundo finalmente se encontraria e compartilhariam as informações para enfrentarem juntos a ameaça maior!

Isso ainda acontece nessa temporada, porém temos uma divisão no grupo principal das crianças e algumas adições muito interessantes. Aqui Dustin se sente meio que deixado de lado pelos amigos e recorre à Steve para ajudá-lo a decifrar um código russo captado por Cérebro (qualquer referencia à X-Men não é mera coincidência), o super rádio desenvolvido por ele no acampamento de ciências.

Claramente os dois não são capazes de decifrar o código sozinhos e contam com a ajuda de Robin, interpretada por Maya Hawke (sim, a filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), que trabalha com Steve no Scoops Ahoy do Starcourt Mall, o grande Shopping que virou o novo point dos habitantes de Hawkins. Mais tarde Erica, irmã mais nova de Lucas, se une ao grupo para tentar desvendar o que os russos estão aprontando numa cidadezinha no interior de Indiana.

E este é o quarteto que eu nem sabia que precisava até vê-los em ação na tela. Mais uma coisa que eu não sabia que precisava até ver é a amizade desenvolvida entre Eleven e Max nesta temporada. A ruiva abre os olhos de nossa amiga super poderosa para todas as possibilidades que uma amizade entre garotas pode ter, ao invés de ficar só agarrada com o namorado o tempo inteiro. Obrigada Max, por ensinar o feminismo pra Eleven ♥

Ainda sobre as diferenças dessa nova temporada para as demais, da pra dizer, com certeza, que esse é o ano MAIS NOJENTO da trama. Cada vez que eu achava que não podia ter nada mais repugnante do que ratos explodindo em gosma e virando um monstro de gosma gigante, vinha alguma outra coisa muito mais repulsiva: tipo um mini monstro saindo de dentro de alguém, no melhor estilo “Alien: O 8º Passageiro”.

Desta vez o Devorador de Mentes resolveu deixar o nosso menino Will em paz (obrigada Deus, já tava cansada de ele ser sempre o cordeiro do sacrifício), e o garoto agora foi meio que reduzido à um detector de Devorador de Mentes, sentindo sempre a presença do bichão quando este está por perto. O novo hospedeiro escolhido do vilão acabou sendo o Billy, que muitos diriam que é tão podre quanto ele, mas que no decorrer da temporada acabou me fazendo simpatizar um pouco com o personagem. Obviamente ele é um escroto, e nada justifica os atos dele, mas crescer com um pai abusivo deve mexer demais com a cabeça de uma pessoa. Então eu até entendo o personagem, mas nada do que ele faz é justificável.

No fim das contas, eu vi muita gente falando mal dessa nova temporada. Seja por que acharam que era só mais do mesmo, ou por que acreditam que não tem mais história pra abordar, ou até por que a primeira parte é mais lenta, mas pra mim essa foi a melhor temporada até aqui.

Vejam todas as diferenças que apontei dessa para as outras temporadas. Olhando além das ameaças que os habitantes de Hawkins precisam enfrentar, vejam todos os elementos abordados nessa história. A ambientação é incrível, a fotografia é linda, a trilha sonora é impecável, sem falar dos figurinos, maquiagem, cabelo… Ainda temos, por trás disso tudo, uma história sobre amadurecimento, sobre crescer e perceber que não é mais criança e que precisa arcar com as consequências de seus atos, ninguém é intocável.

Enfim, como sempre, não foi uma resenha ou critica ou texto super elaborado e cheio de tecnicalidades sobre a nova temporada da série. Sempre acabo escrevendo textos enormes só sobre as minhas impressões, os pontos que mais me chamaram a atenção, o que mais gostei e o que menos gostei naquilo que assisti. Basicamente um monte de sentimentos vomitados na tela.

Como vocês, sou só uma fã, ainda à espera de uma confirmação da Netflix sobre uma 4ª temporada, coisa que ainda não aconteceu, porém os irmãos Duffer já saíram falando por aí sobre suas ideias para um possível 4º ano do show, como ele seria completamente diferente do que vimos até agora e como abrangeria mais.

Por isso, ficamos só na expectativa por enquanto.

E aí? Já conseguiram assistir todos os episódios?

Me contem aqui nos comentários o que acharam 😀

P.S.: aaaaah, não desliguem a tv quando acabarem de assistir, tem cena pós-créditos depois do episódio final!

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Game of Thrones: Do Luxo ao Lixo

Na TV

Se você é um ser humano e vive num planeta chamado Terra, mesmo que não assista, com certeza sabe que no último domingo foi ao ar o episódio final da série Game of Thrones, baseada na saga de livros de George R. R. Martin.

Não vou me estender muito na introdução desse post, por que se você assistiu a série por tantos anos quanto eu, não vai precisar de um resumo sobre o show produzido por David Benioff e D. B. Weiss. E se você não assistiu nada da série, provavelmente odeia a galera obcecada que enche sua timeline toda semana com discussões sobre os episódios, e não vai se interessar nem um pouco pelo que tenho a dizer hoje.

E o que eu tenho a dizer, meus amigos, nada mais é do que um desabafo. Eu preciso falar sobre o final e sobre os meus sentimentos a respeito da trajetória desta que foi uma das minhas séries favoritas por tanto tempo.

Agora, você que é fã, assim como eu, não espere uma crítica com análise intrincada e profissional. Isso não é uma crítica. É só uma pessoa desabafando sobre sentimentos, muitas vezes confusos e contraditórios. E atenção, estejam preparados, por que não vou poupar spoilers abaixo:

Acho que o ideal é começar dizendo que não estou exatamente surpresa pelos acontecimentos deste último episódio. Todo mundo notou como a série decaiu a partir da sétima temporada, como todas aquelas tramas complexas e enigmáticas acabaram transformadas em plots fracos e preguiçosos. Sendo assim, minhas expectativas já estavam extremamente baixas, porém não da pra dizer que não fiquei decepcionada.

A impressão que tive foi a de que os produtores estavam mais interessados em chocar e surpreender o público do que em desenvolver com coerência o arco dos personagens e da própria série.

Tantos anos desenvolvendo Daenerys Targaryen como uma mulher forte, que lutava pelos fracos e oprimidos, que sempre batalhou contra o legado de seu pai louco e cruel, e que inclusive prendeu seus dragões, SEUS FILHOS, por que um deles matou uma criança inocente. De repente, essa mesma personagem começa a incinerar qualquer um que não dobre o joelho. De repente ela queima uma CIDADE INTEIRA CHEIA DE INOCENTES.

E não adianta vir me jogar a cartada de que ela enlouqueceu, de que ela estava com raiva e que ela sempre teve o temperamento explosivo. Primeiro que não deu tempo de enlouquecer, e segundo que nem nos momentos de maior fúria da personagem ela machucou inocentes sem motivo algum.

Mas David Benioff e D. B. Weiss não cagaram só na cabeça da Mãe dos Dragões. Não vamos nos esquecer que Jon Snow, lá na quinta temporada, quando a série ainda tinha algum embasamento nos livros, morreu com inúmeras facadas por defender o que era certo acima de tudo. Que descaracterização medonha nesta temporada, onde o personagem virou, com o perdão da expressão grosseira, um “escravo de buceta”, assistindo todas as barbaridades de cabeça baixa, justificando as atitudes hediondas de sua rainha, completamente cego de amor.

E desculpa, gente, mas nunca engoli esse romance forçado entre Daenerys e Jon. Nem quando ele estava com a Ygritte, em um relacionamento muito mais bem desenvolvido, ele deixou o amor ficar no caminho do que era certo. No final ele só fez alguma coisa quando o Tyrion o convenceu, ameaçando a segurança de suas irmãs.

Falando em Tyrion, cadê o personagem que sempre se guiou pela INTELIGÊNCIA e não pela EMOÇÃO? Onde foi parar o estrategista brilhante da Batalha do Água Negra, que previu com facilidade todos os movimentos do inimigo com uma frieza impressionante?

Aparentemente ele também estava muito ocupado ficando cego de amor para perceber a enorme bandeira de perigo balançando no horizonte. Nem nosso amigo Varys virando churrasquinho foi capaz de previnir o personagem mais inteligente da série de que tinha caroço nesse angu.

Não vou nem mencionar a Cersei e como ela não chorou nem na situação toda do “Shame”, onde humilharam ela de todas as formas possíveis, fazendo a mulher CAMINHAR PELADA PELA CIDADE INTEIRA ENQUANTO JOGAVAM FRUTAS PODRES E PEDRAS NELA!

Agora a personagem que sempre tinha uma carta na manga, aquela que estava disposta a ir até as ultimas consequências, ficou apenas chorando enquanto observava a cidade queimar? A personagem mais astuta, que cagou na cabeça de todo mundo, morreu soterrada, chorando e abraçada com o irmão? Desculpa, mas Cersei Lannister merecia uma morte melhor.

A impressão que fica é a de que os produtores estavam com muita preguiça de desenvolver todas as tramas e sub-tramas dessa história. É possível perceber isso ainda no final da sexta temporada, quando metade do elenco explodiu dentro do Septo de Baelor. O resultado foi esse final obtuso e, apesar de todos os esforços de D&D para surpreender, previsível.

Mas nem tudo são espinhos. Lá em cima eu disse que não detestei tudo, e é verdade. É possível apreciar algumas coisas dessa finale, na medida do possível. Como a primeira vez em que Emilia Clarke apareceu em cena nesse episódio. Foi belíssimo o abrir de asas de Drogon ao fundo, dando a impressão de que Daenerys estava abrindo suas asas ali.

O fato do dragão queimar o Trono de Ferro em vez de Jon quando encontra o corpo da mãe também foi poético. É como se Drogon soubesse que quem de fato matou Dany foi o seu desejo pelo Trono. Apesar de tudo, gostei muito dessa analogia.

O destino de Arya também não foi de todo ruim, aliás, foi um dos mais coerentes se a gente pensar na lambança toda que fizeram. Eu imagino que alguém que passou por tudo que ela passou não ia conseguir apenas voltar pra casa e brincar de casinha com a família. Muito menos se casar e virar a Lady de algum castelo. O destino de Arya ou era a morte ou esse que deram pra ela, correr livre por aí, como sua loba, Nymeria. Particularmente eu preferia a morte, acho que iria condizer muito mais e fazer sentido na jornada da personagem.

Agora, a coisa mais coerente que aconteceu nessa season finale foi a coroação de Sansa Stark como QUEEN IN THE NORTH (sim, eu falei isso gritando).

Entendam, eu sempre odiei a Sansa, e achava a personagem insuportável, irritante, mimada, egoísta e sonsa. Porém, no decorrer das últimas temporadas, acompanhando tudo o que ela passou, todo o sofrimento na mão de inúmeros homens, percebi como ela cresceu e aprendeu com os próprios erros. Talvez a Sansa tenha sido a personagem que mais cresceu e mais se desenvolveu na série, e seu final honrou toda a trajetória espetacular da personagem.

E foi só isso que eu gostei mesmo.

Pra mim a maior piada foi o Broken King de Bran Stark como soberano dos agora Seis Reinos. Essa foi a coisa mais sem pé nem cabeça de toda a história de Game of Thrones, ganhando inclusive da Arya matando o Night King. É nessas duas situações que podemos ver com absoluta certeza a preocupação dos produtores em apenas chocar e surpreender o público, se esquecendo completamente da coerência.

Onde foi parar aquela história de “Não sou Bran”, “Não sou Lorde” e “Sou o corvo de três olhos”? O segredo mais bem guardado de toda essa história, o maior plot twist da série, a verdadeira ascendência de Jon Snow e seu direito como herdeiro legitimo ao Trono de Ferro foi basicamente pra NADAAAAAAA!

Pra que tanto desenvolvimento, pra que toda essa trajetória preparando o personagem pra ser um grande líder, um guerreiro inspirador? Foi só pra ele voltar exatamente pro mesmo lugar em que estava no primeiro episódio da série? Se fosse pra ser assim, era melhor deixar ele morto lá na quinta temporada mesmo.

Pelo menos dessa vez, quando reencontrou o lobo que quase morreu por ele, o personagem não foi um cuzão e fez pelo menos um afago no Ghost. Não vou mentir, rever o lobo gigante sem orelha me fez chorar como um bebê e eu segui assim até bem depois dos créditos.

Chorei pelo lobo negligenciado desde o final da quinta temporada. Chorei pelo dragão que perdeu os irmãos e a mãe a troco de nada. Chorei pela Brienne que só ficou ali escrevendo sobre a morte do homem que amava. Chorei pela descaracterização de todos esses personagens tão brilhantemente construídos no inicio. Chorei por que acabou, pelo final, esse que foi porquíssimo e aquele que poderia ter sido. Poderia ter sido tão melhor, gente.

No fim das contas foi tão descabido. Uma desconstrução de tudo o que foi construído nas primeiras temporadas. Uma distorção dos personagens pra satisfazer as conveniências porcas desse roteiro chulo, que vem sendo feito nas coxas desde o finalzinho da sexta temporada. Sinceramente não fiquei surpresa com esse fim, depois de tudo que vimos nessa ultima temporada de bosta, ficou até condizente e não tive expectativas melhores, porém não teve como não ficar desapontada com o rumo que as coisas tomaram.

Só resta dizer que foi de partir o coração ver uma série com o potencial pra ser a melhor série de todos os tempos ter essa morte horrível e ir, literalmente, do luxo ao lixo.

E vocês? O que acharam dessa Series Finale?

Me contem aqui nos comentários 🙂

O Retorno Militudo de “Supergirl”

Na TV

Exibida pela CW, a série baseada nos quadrinhos da personagem kryptoniana, “Supergirl”, retornou às telas americanas no dia 14 de outubro e iniciou seu 4º ano em grande estilo e com um tema pra lá de importante.

É engraçado eu ter ficado tão impactada com esse retorno, já que “Supergirl” sempre foi a série do Arrowverse que eu menos gostava… aquela mais fraquinha, deixada pra trás até por “Legends of Tomorrow”, porém nunca deixei de assistir. O show sempre teve uma qualidade que me prende, mesmo nas temporadas mais arrastadas.

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Neste novo ano o inimigo da “Supergirl” não é um vilão qualquer, fácil de liquidar. Desta vez nossa heroína vai ter que enfrentar o ódio de pessoas normais, mães e pais de família, “vilões” que não são essencialmente maus.

A série começa a abordar a xenofobia e os fatores que a desencadeiam, como fascismo, através de uma metáfora muito bem trabalhada: o ódio contra os imigrantes alienígenas buscando anistia na Terra. E esse assunto da intolerância é TÃO importante e se aplica demais à situação atual, não só do Brasil, mas do mundo.

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O interessante é que a Kara, até metade do primeiro episódio, parece só olhar para o próprio umbigo, já que não passou pelos preconceitos que outros alienígenas passaram e ainda passam. Claramente a nossa heroína representa aquela turma que faz parte da minoria, mas é coberta de privilégio e só enxerga o que de fato acontece depois de um choque de realidade.

A Kara não enxergar essa intolerância é exatamente o problema do mundo atualmente. Pra ela é muito fácil dizer que não sofre esse preconceito sendo idêntica à um ser humano, e ainda por cima loira linda e adorada por toda a população da Terra. Ela demora à entender a situação atual e os crimes de ódio cometidos contra os alienígenas, chegando inclusive à uma discussão acalorada com J’onn J’onzz, personagem que está totalmente engajado na defesa dessas minorias.

Parece muito com tudo o que estamos vendo atualmente na nossa sociedade, não?

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Foi tão real e esmagadora a forma que trataram o preconceito contra os alienígenas, fazendo um paralelo gritante com a forma que os estadunidenses tratam os imigrantes. E na forma como os próprios brasileiros têm tratado alguns refugiados e algumas das minorias presentes na nossa sociedade.

Quando a Supergirl finalmente acorda para a realidade, o choque é grande, e é aquela sensação que todos temos aqui no peito:

“Pensar que há tanta raiva lá fora, eu não quero acreditar. Pensei que esse país, que nós tínhamos melhorado. Lutar contra algo tão vasto, unir um mundo tão dividido… é esmagador.”

Outro fator importantíssimo, que veio pra cimentar a posição da série à respeito de todas as minorias, foi a adição de uma atriz trans no elenco desta temporada.

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Nicole Maines interpreta Nia Nal, uma jovem jornalista transsexual, também conhecida como a heroína Dreamer. A personagem comenta durante o segundo episódio como já sofreu com o preconceito e hoje se posiciona em defesa dos alienígenas.

O lema “Earth First”, utilizado pelos “vilões” dessa temporada, pode ser sim uma referência ao “America First” de Donald Trump, mas também não deixa de ser uma referência ao “Brasil acima de tudo” que preencheu nossos ouvidos nos últimos meses.

Mais didático que isso impossível, obrigado por esse plot Greg Berlanti.

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Enfim, é sempre certo que quando envolve política, quase todos acabam apoiando algum lado e a maioria se tornando extremamente cega sobre o contexto da sociedade! “Supergirl” está de parabéns por tratar dessa temática de forma tão genuína, sem perder os princípios da série.

Você não precisa amar/gostar de todas as pessoas, mas você precisa respeitá-las.

Combate ao preconceito sempre.

Obrigada, “Supergirl”!